Dorflex pode ser usado na crise de cefaleia tensional, a dor de cabeça em pressão ou aperto dos dois lados, sem náusea e sem piora ao se movimentar, que é a dor para a qual a formulação tradicional tem registro. Na enxaqueca, a crise e a prevenção têm tratamento próprio, e a dor de cabeça diferente do habitual precisa ser avaliada antes do comprimido. Se você já precisa de analgésico em muitos dias da semana, o excesso de remédio pode estar mantendo a própria dor. Dor que explode de repente ou vem com fraqueza, confusão ou febre com rigidez de nuca pede atendimento de emergência antes de qualquer comprimido.
Dorflex na cefaleia tensional
A formulação tradicional tem registro para dor ligada a contratura muscular, o que inclui a cefaleia tensional. O tipo de dor, a frequência de uso, as contraindicações e os sinais de alerta decidem se ele cabe no seu caso.
- serve para a crise ocasional de dor em pressão ou aperto
- enxaqueca e dor de cabeça nova ou diferente têm tratamento próprio
- analgésico em muitos dias da semana pode manter a própria dor
- menores de 15 anos, quem já reagiu à dipirona e gestantes no início ou no fim da gravidez não devem usar
Composição e indicação
A formulação tradicional de Dorflex é registrada no Brasil para dor associada a contraturas musculares, incluindo cefaleia tensional. Cada comprimido da formulação tradicional contém 300 mg de dipirona monoidratada, 35 mg de citrato de orfenadrina equivalentes a 20,4 mg de orfenadrina e 50 mg de cafeína anidra, além de excipientes.
Outras apresentações da marca podem ter composição diferente, e a versão só com dipirona não equivale à combinação tradicional, por isso confira a caixa e o texto oficial do Dorflex. Some a cafeína do comprimido à que você já consome no dia.
Para a crise de cefaleia tensional, os analgésicos que indico primeiro são ibuprofeno ou paracetamol, cada um com contraindicações e riscos próprios. Dorflex não tem vantagem demonstrada sobre esses analgésicos na crise de dor de cabeça, e por isso não é a primeira escolha.
Cefaleia tensional, enxaqueca e causas secundárias
Pressão bilateral, não pulsátil e sem piora pela atividade habitual é compatível com cefaleia tensional quando náusea e vômitos estão ausentes. Na cefaleia tensional, os músculos ao redor da cabeça podem ficar doloridos quando pressiono.
Dor latejante ou que piora com a atividade do dia a dia, com náusea ou incômodo com luz e barulho, aponta para enxaqueca. A enxaqueca nem sempre lateja, pode doer dos dois lados e pode vir com dor no pescoço. Nela, a crise e a prevenção têm tratamento próprio.
Responder a um analgésico não separa cefaleia tensional, enxaqueca e causas secundárias. Se a dor mudou de padrão, ela precisa de nova avaliação, mesmo que o comprimido de sempre ainda ajude. Na consulta, defino o tipo de dor pelo início, pela duração, pela frequência e pelo que acompanha a crise, e examino em busca de sinais de risco.
Tensional, enxaqueca ou outra causa
| Tipo | Como costuma ser | O que muda |
|---|---|---|
| Cefaleia tensional | pressão ou aperto dos dois lados, sem piora com a atividade e sem náusea ou vômitos | Dorflex cabe na crise ocasional, sem contraindicação |
| Enxaqueca | dor latejante, piora com a atividade, náusea, incômodo com luz e barulho | a crise e a prevenção têm tratamento próprio |
| Outra causa | início súbito, piora progressiva, febre, fraqueza, trauma ou gestação | investigar antes de repetir o analgésico |
Cefaleia por excesso de analgésico
Oriento usar analgésicos de venda livre em no máximo 2 dias por semana para reduzir o risco de cefaleia por uso excessivo. Chegar a esse número é o momento de rever o tratamento, e isso vale também para Dorflex.
Some os dias de todos os analgésicos. Contar só os dias de Dorflex esconde a troca entre combinações, analgésicos simples e outros remédios de resgate.
O diagnóstico de cefaleia por uso excessivo de medicamento exige cefaleia em pelo menos 15 dias por mês em quem já tinha uma cefaleia antes, uso excessivo regular por mais de três meses e nenhum outro diagnóstico que explique melhor o quadro, conforme a Classificação Internacional das Cefaleias, 3ª edição.
Com analgésicos combinados, o excesso já conta com uso em pelo menos 10 dias por mês por mais de três meses. Esses números servem para o diagnóstico, e o cuidado com a frequência começa antes deles.
Quando a cefaleia por uso excessivo já está instalada, escolho como retirar o analgésico conforme o remédio usado, as outras doenças, a prevenção e o acompanhamento. Planejo a retirada junto com a prevenção e acompanho a evolução de perto.
Dias de analgésico que pedem revisão
limite para analgésicos de venda livre, somando todos os remédios para dor. Chegar a ele pede revisão do tratamento
com analgésico combinado por mais de três meses, já conta como uso excessivo
com uso excessivo há mais de três meses, é o critério de cefaleia por uso excessivo
Riscos do Dorflex
A formulação tradicional é contraindicada para menores de 15 anos; outra apresentação precisa ser conferida separadamente.
Contraindicações
Não use Dorflex se já teve alergia ou intolerância aos componentes, à dipirona ou a analgésicos parecidos das classes pirazolona ou pirazolidina, agranulocitose causada por dipirona ou medicamento semelhante, reação grave de pele com o produto, broncoespasmo ou outra reação anafilática a analgésicos. Ele também é contraindicado em glaucoma, obstrução pilórica ou duodenal, problemas motores do esôfago como megaesôfago, úlcera péptica estenosante, aumento da próstata, obstrução do colo da bexiga, miastenia grave, porfiria hepática aguda intermitente, deficiência congênita de G6PD e função insuficiente da medula óssea ou doença do sistema que forma o sangue. Conta como reação prévia a analgésico o broncoespasmo ou a anafilaxia depois de salicilatos, paracetamol, diclofenaco, ibuprofeno, indometacina ou naproxeno.
Na gravidez, Dorflex não é recomendado nos primeiros 3 meses, só pode ser usado no 2º trimestre após avaliação médica cuidadosa de risco e benefício e é proibido nos 3 últimos meses. Durante a lactação, evite amamentar até 48 horas depois do uso.
Interações e precauções
Não combine Dorflex com álcool, propoxifeno ou fenotiazínicos. A dipirona tem interações importantes: acelera enzimas do fígado e pode baixar o nível no sangue de bupropiona, efavirenz, metadona, ciclosporina, tacrolimo e sertralina; quem usa metadona precisa revisar a combinação com o médico que a prescreve. Também pode reduzir os níveis de valproato e sua eficácia clínica. Com metotrexato, aumenta o risco de toxicidade para as células do sangue, sobretudo em idosos. Com ácido acetilsalicílico em baixa dose, pode reduzir o efeito antiplaquetário. Leve a lista dos seus remédios para a consulta e não suspenda o tratamento de base sem falar com quem o prescreveu.
Antes de indicar Dorflex, avalio com mais cuidado idade avançada, função dos rins ou do fígado reduzida, estado geral comprometido, taquicardia, arritmias, insuficiência coronariana, insuficiência cardíaca descompensada, deficiência de protrombina, hipertireoidismo, consumo alto de cafeína e a necessidade de dirigir ou operar máquinas.
Se surgir confusão depois do comprimido, interrompa a direção, o uso de máquinas e qualquer atividade de risco e não repita a dose. Mesmo que ela passe, converse com o médico antes de tomar de novo.
Em uso prolongado com acompanhamento médico, o sangue é monitorado com hemogramas frequentes e as funções do fígado e dos rins são acompanhadas. A dipirona também interfere em alguns exames de laboratório, como creatinina, triglicérides, colesterol HDL e ácido úrico. Avise o laboratório e o médico que está usando o remédio.
Reações graves
Febre, calafrios, dor de garganta ou feridas dolorosas na boca e em outras mucosas exigem parar o Dorflex e buscar atendimento médico imediato, porque podem indicar agranulocitose, a queda grave dos glóbulos brancos. Há relatos de pancitopenia, a queda de todas as células do sangue, e de anemia aplástica, inclusive com casos fatais; diante de pancitopenia, Dorflex é suspenso e o hemograma é acompanhado até a normalização. Mal-estar, infecção, febre persistente, hematomas, sangramento ou palidez reforçam essa suspeita.
Lesões em alvo, bolhas, descamação ou feridas em boca, olhos, nariz ou genitais exigem interromper Dorflex e obter assistência médica imediata. Depois de reação cutânea grave, Dorflex não deve ser usado novamente.
Náusea ou vômito, febre, cansaço, perda de apetite, urina escura, fezes claras, pele ou olhos amarelados, coceira, erupção e dor na parte superior do abdome exigem interromper Dorflex e contatar imediatamente um médico. Depois de lesão hepática durante o tratamento com dipirona, sem outra causa identificada, a dipirona não deve ser reintroduzida.
Piora aguda da função renal pode aparecer sobretudo em quem já tem doença renal, com redução importante da urina, ausência de urina ou perda de proteína. Urina muito espumosa por vários dias, com inchaço novo, pode indicar perda de proteína na urina. Diante desses sinais, pare o Dorflex e passe por avaliação médica antes de qualquer nova dose.
Urticária e inchaço podem progredir para inchaço da garganta (edema de laringe), fechamento grave dos brônquios (broncoespasmo), queda de pressão e choque. Essas reações alérgicas graves podem começar logo depois do comprimido ou horas mais tarde e costumam aparecer na 1ª hora. A pressão arterial também pode cair de forma crítica.
Dose excessiva
Se alguém tomar mais comprimidos que o indicado, procure socorro médico rapidamente e leve a embalagem, se possível. Para mais orientações, ligue para 0800 722 6001, o número indicado no texto oficial do Dorflex. O Disque-Intoxicação encaminha gratuitamente a ligação a um centro especializado.
Sinais de alerta
Dor de cabeça. Alguns sinais indicam que a dor pode ter outra causa e precisa ser investigada, e a pressa depende de quais aparecem. Dor que atinge o máximo em segundos, fraqueza ou dormência nova, convulsão, confusão intensa, febre com rigidez de nuca, perda súbita da visão, olho vermelho e dolorido, alteração neurológica depois de trauma ou dor de cabeça na gestação ou no pós-parto com sinais neurológicos ou sistêmicos são emergência, e um comprimido pode aliviar parte da dor sem reduzir o risco. Câncer, imunidade baixa, trauma relevante ou gestação sem esses sinais e dor que piora aos poucos ou muda de padrão pedem investigação rápida.
Reação ao Dorflex. Depois de Dorflex, tontura intensa, quase desmaio ou desmaio, pele pálida, fria e úmida, confusão intensa ou que piora, sonolência difícil de despertar, convulsão, piora da respiração ou ausência de urina com falta de ar podem indicar choque ou outra instabilidade grave: pare o medicamento. A reação alérgica grave e a reação grave de pele também são emergência.
Nesses casos, vá ao pronto-socorro de um hospital. Se o único serviço próximo for uma UPA 24h, vá até ela. Se houver convulsão, sonolência difícil de despertar, fraqueza importante, inchaço da garganta ou sinais de choque, ou se o transporte não for seguro, ligue 192, o atendimento móvel de urgência.
Diário de dor de cabeça
Escolho o remédio da crise e decido sobre prevenção pelo tipo de dor, pelo quanto ela atrapalha, pelas outras doenças e pela frequência da dor e dos analgésicos. Uma crise ocasional de cefaleia tensional, sem contraindicação, cabe na indicação de Dorflex. Ele não serve para uso diário nem para prevenir crises.
Anotar os dias de dor, como ela foi, o quanto atrapalhou e os dias em que você tomou remédio mostra se as crises são ocasionais ou se o padrão já pede prevenção ou retirada planejada.
O que anotar a cada crise
Marque consulta quando as crises ficam frequentes, tiram trabalho ou sono, têm sinais de enxaqueca, pedem cada vez mais dias de analgésico ou não cedem bem com o comprimido. Com o diário em mãos, avalio se a dor ainda cabe em um analgésico ocasional ou se chegou a hora da prevenção, antes que o excesso de remédio se instale.