Betatrinta é uma injeção de betametasona, da classe dos corticoides, que age no corpo inteiro, e eu não a indico como tratamento de rotina para dor na coluna. Na dor lombar que vem de uma raiz nervosa e desce para a perna, os estudos com corticoides desse tipo, chamados sistêmicos, mostram alívio pequeno e de curto prazo. Nos outros tipos de dor lombar o ganho é incerto ou não foi demonstrado. A dor no pescoço e na parte alta das costas ficou fora desses estudos, que tratam só da dor lombar, embora a bula inclua o torcicolo entre as indicações. Com doses repetidas, somam-se riscos para metabolismo, ossos, olhos e defesa contra infecções. A bula não prevê aplicação dentro do canal da coluna.
Vá ao pronto-socorro na hora, sem esperar o efeito de nenhuma injeção, se surgir dificuldade nova para urinar, perda do controle da urina ou das fezes, dormência entre as pernas ou fraqueza forte ou que piora nas pernas.
Composição e vias de aplicação
Betatrinta (BetaTrinta na grafia do fabricante, também escrita Beta 30) é uma suspensão injetável que combina fosfato dissódico de betametasona, de absorção rápida, e dipropionato de betametasona, de absorção lenta. A bula diz que a parte lenta controla os sintomas por longo período e não fixa esse prazo. Em estudos de asma citados na própria bula, o efeito de uma injeção no músculo durou 27 dias em um estudo e de 14 a 46 dias em outro. Esses números indicam que uma injeção continua agindo no corpo por semanas. Nenhum desses estudos mediu dor na coluna.
Cada mL contém 6,43 mg de dipropionato de betametasona, equivalentes a 5,0 mg de betametasona base (a substância ativa), e 2,63 mg de fosfato dissódico de betametasona, equivalentes a 2,0 mg de betametasona base. Quem já teve alergia a algum componente precisa conferir a fórmula completa antes da aplicação.
A bula aprova injeção no músculo, dentro e em volta das articulações, na pele e em outros tecidos moles, como as bursas. Injeção dentro do canal da coluna (epidural ou intratecal) não está entre essas vias, e a bula exclui o uso na veia e no tecido logo abaixo da pele (subcutâneo). A venda exige receita, quem aplica é sempre um profissional de saúde, e a bula avisa que o produto pode causar doping.
No músculo, a injeção é profunda, na região glútea, com técnica estéril, porque a aplicação profunda em músculo grande reduz o risco de atrofia do tecido no local. Corticoide não deve ser injetado em articulação instável, em área infectada ou no espaço entre as vértebras.
Caminho da betametasona depois da injeção no músculo
Aplicada no glúteo, a betametasona passa para o sangue e chega a órgãos distantes da coluna.
a suspensão fica depositada e é absorvida em duas velocidades
a betametasona circula pelo corpo inteiro
reduz respostas inflamatórias e imunes
pode elevar a glicemia e, em dose alta, reter sódio e água e subir a pressão
pode causar insônia e alterar o humor
uso prolongado ou em dose alta pode diminuir a produção própria de cortisol
Sinais de doença grave na dor lombar
Retenção urinária nova ou incapacidade nova de urinar, perda nova do controle da urina ou das fezes, anestesia em sela (dormência entre as pernas e nas nádegas) e perda grave ou progressiva de força ou sensibilidade nas pernas indicam possível síndrome da cauda equina ou do cone medular, a compressão dos nervos no fim da coluna. Um único desses sinais basta para ir ao pronto-socorro na hora: a avaliação é de emergência, de preferência com ressonância magnética, e não espera o efeito do corticoide.
Quem tem dor lombar e está muito abatido ou sofreu trauma forte também vai direto ao pronto-socorro.
A diretriz de dor lombar dos departamentos de Veteranos e de Defesa dos Estados Unidos lista outros sinais e fatores de risco de infecção, fratura ou câncer na coluna e sugere o exame de cada suspeita. Os prazos são os que adoto:
- Febre com dor lombar: avaliação médica no mesmo dia, com ressonância magnética e exames de sangue que medem inflamação, para afastar infecção na coluna.
- Dor lombar nova ou que piora em quem usa droga na veia, teve infecção recente ou usa cateter na veia ou sonda na bexiga: avaliação no mesmo dia, mesmo sem febre, com os mesmos exames.
- Dor lombar depois de queda ou outro trauma: avaliação no mesmo dia, a começar pela radiografia, para afastar fratura.
- Dor lombar nova ou que piora em quem tem a defesa do corpo reduzida por doença ou remédio (imunossupressão): consulta em poucos dias, mesmo sem febre, com exames de sangue que medem inflamação e ressonância magnética.
- Dor lombar nova ou que piora em quem tem osteoporose ou 75 anos ou mais: consulta em poucos dias, com radiografia.
- Dor lombar nova ou que piora em quem usa corticoide há muito tempo ou já recebeu várias injeções de Betatrinta: consulta em poucos dias, com radiografia para afastar fratura de vértebra e, mesmo sem febre, com exames de sangue que medem inflamação e ressonância magnética, porque o corticoide pode esconder os sinais de infecção, entre eles a febre.
- Dor lombar nova em pessoa jovem com sobrecarga de treino: consulta em poucos dias, com radiografia, para afastar fratura por sobrecarga do osso (fratura por estresse).
- Câncer prévio com dor lombar nova: consulta em poucos dias, com radiografia e ressonância magnética.
- Perda de peso sem explicação com dor lombar: consulta em poucos dias, com radiografia e ressonância magnética.
- Dor lombar que segue igual depois de 1 mês, sem outro sinal: consulta marcada.
Idade, osteoporose já conhecida e corticoide usado há muito tempo são fatores de risco: sozinhos, com uma dor lombar estável, pesam pouco e não levam a exame de imagem. Com perda de peso sem explicação, dor que não melhora depois de 1 mês ou idade acima de 50 anos, a chance de a dor lombar vir de um câncer fica em torno de 1,2%, ainda baixa. Para infecção, pesam mais o uso de droga na veia junto com outra infecção no corpo e o cateter na veia. A suspeita cresce quando os fatores se somam ou quando aparece um fato novo, como febre, queda ou perda de peso.
Em todos esses casos, a investigação vem antes de qualquer injeção.
Tipos de dor lombar
Nos estudos de corticoide sistêmico na dor lombar, uma parte das pessoas recebeu o corticoide e a outra, injeção ou comprimido sem remédio.
Onde dói e o que o corticoide muda
A dor foi medida numa régua de 0 a 10 e, antes do tratamento, ia de 6,6 a 9.
Em 2 estudos de dor recente, com 153 pessoas, a dor de quem recebeu corticoide não ficou menor do que a de quem não recebeu. Em um deles, feito com injeção no músculo, a dor de quem recebeu a injeção sem remédio caiu para 2,3 em 1 mês.
Nome médico: dor lombar não radicular.Em 5 estudos, com 430 pessoas, quem recebeu corticoide ficou com a dor pouco mais de meio ponto (0,56) abaixo da de quem não recebeu. A diferença foi medida entre 2 semanas e 3 meses depois de começar o corticoide, quando a dor de quem não recebeu estava entre 2,0 e 4,3.
Nome médico: dor radicular. Segue o trajeto de uma raiz nervosa, às vezes com perda de força ou de sensibilidade na perna.Em 2 estudos, com 154 pessoas, o corticoide em comprimidos praticamente não mudou a dor, que ficou perto de 6 com ou sem ele.
Nome médico: estenose do canal lombar, o canal da coluna estreitado. A dor alivia ao sentar ou curvar o tronco.Na dor lombar aguda, a que começou há poucas semanas, sem perda de força, sensibilidade ou reflexo e sem sinal de doença grave, não peço exame de imagem de rotina. Desgastes vistos na imagem da coluna combinam mal com os sintomas, e uma imagem isolada não mostra qual estrutura dói.
Na dor radicular, o exame de sensibilidade, reflexos e força mostra se uma raiz nervosa está afetada. Quando os sintomas na perna passam de 1 mês, discuto a ressonância magnética em consulta, para ver se há hérnia de disco ou estenose que explique o quadro.
Fora desses três tipos, rigidez pela manhã, melhora com exercício, dor que alterna entre as nádegas e despertar com dor na segunda metade da noite, sobretudo em pessoa jovem, sugerem dor lombar inflamatória. Esse padrão leva a radiografia da bacia, das articulações sacroilíacas (entre a bacia e a coluna) e do trecho da coluna que dói e a avaliação com reumatologista, sem urgência quando o quadro está estável. Com esse padrão, a decisão sobre qualquer corticoide fica para depois do diagnóstico.
Indicação e resultados na dor lombar
Lombalgia, ciática e radiculite (inflamação de uma raiz nervosa) estão entre as indicações osteomusculares do produto, sempre como complemento de outra terapia. A bula autoriza esse uso, e a diretriz de dor lombar é contrária a ele: sugere não usar corticoide sistêmico, por via oral ou no músculo, na dor lombar, com ou sem dor que desce para a perna. A injeção no glúteo entra nessa regra, porque a betametasona passa para o sangue e age no corpo inteiro.
Na hérnia de disco com dor radicular, a maioria das pessoas melhora em até 4 semanas com cuidados não invasivos, sem cirurgia e sem procedimento na coluna. Nos estudos de dor radicular, o corticoide acrescentou pouco a essa melhora. A revisão desses estudos não informa quantos dias ou semanas o alívio dura. Com 1 ano, em um único estudo, a diferença na dor não ficou clara.
Na função, a capacidade de fazer as atividades do dia a dia, a média pode não mudar no curto prazo, mas mais pessoas chegam a uma melhora que faz diferença. Não dá para prever se você estará nesse grupo. Um único estudo sugere também uma pequena melhora da função a longo prazo, e esse resultado ainda precisa de confirmação.
O corticoide não diminuiu a necessidade de cirurgia: a razão de risco foi 1,00, a mesma proporção de cirurgias com e sem corticoide, com faixa de 0,68 a 1,47 (95% de confiança). Essa faixa vai de menos a mais cirurgias, e por isso o resultado também não prova que o efeito seja nulo.
Esses estudos reuniram corticoides, doses e vias diferentes e não testaram a Betatrinta especificamente. A betametasona tem ação anti-inflamatória, mas dizer que a coluna está inflamada não basta para indicar a injeção: nos estudos, o alívio dependeu do tipo de dor.
A diretriz admite que uma pessoa bem informada escolha o corticoide pela chance de melhorar a função, e a maioria não escolhe por causa dos efeitos adversos. Discuto essa exceção na dor radicular, com quem não tem contraindicação e conhece esses números.
Contraindicações e riscos
Contraindicações formais
Betatrinta é contraindicada em menores de 15 anos e durante o aleitamento ou a doação de leite humano, em infecção fúngica sistêmica (infecção por fungo espalhada pelo corpo) e em pessoas com hipersensibilidade (alergia) ao dipropionato de betametasona, ao fosfato dissódico de betametasona, a outros corticoides ou a qualquer componente da fórmula. A injeção no músculo também é proibida na púrpura trombocitopênica idiopática, em que as plaquetas ficam baixas.
Se você amamenta e já recebeu a injeção, informe o médico que a prescreveu assim que possível. A bula explica que o remédio passa para o leite e pode causar reações no bebê, e que cabe ao médico apresentar alternativas para o tratamento ou para a alimentação do bebê. Quando não for possível falar com quem prescreveu, outro médico ou o farmacêutico pode orientar, como a bula prevê.
Na gravidez e em mulheres em idade fértil, a bula manda pesar o possível benefício contra os riscos para a mãe e o feto, porque não há estudos controlados em gestantes, e a gestante só recebe a injeção com orientação médica. Uma gravidez descoberta durante o tratamento ou depois dele também é informada ao médico.
Doenças preexistentes
Antes da aplicação, o médico precisa saber se você tem alguma destas doenças:
- Diabetes: o corticoide pode elevar a glicemia e aumentar a necessidade de insulina ou de remédio para diabetes. Avise quem acompanha o seu diabetes antes da injeção ou, se ela já foi aplicada, assim que possível: a dose desses remédios pode precisar de ajuste, e quem ajusta é o médico que os prescreve.
- Hipertensão: o corticoide pode subir a pressão e reter sódio e água, sobretudo em dose alta, e confiro a pressão na consulta.
- Insuficiência cardíaca: a bula registra, entre as reações adversas, insuficiência cardíaca e edema agudo de pulmão, o acúmulo rápido de líquido nos pulmões. Em quem já tem a doença, confirmo que o quadro está estável.
- Insuficiência renal: a bula pede cautela, e em dose alta o corticoide pode reter sódio e água e aumentar a perda de potássio.
- Hipotireoidismo: a bula informa que os efeitos do corticoide ficam aumentados, sem dizer quanto.
- Cirrose do fígado: os efeitos do corticoide também ficam aumentados, segundo a bula.
- Infecção em curso: precisa ser esclarecida antes, porque o corticoide pode esconder seus sinais e reduzir a resistência a novas infecções.
- Tuberculose latente, a infecção adormecida e sem sintomas, ou teste de tuberculose positivo: o corticoide pode reativar a doença.
- Úlcera péptica, a ferida no estômago ou no duodeno, ativa ou sem sintomas: a bula pede cautela, porque o corticoide pode causar sangramento digestivo, reação incomum, e úlcera que pode perfurar e sangrar, reação rara. Úlcera ou sangramento digestivo no passado também contam.
- Colite ulcerativa, diverticulite (inflamação de pequenas bolsas na parede do intestino) ou cirurgia recente com emenda do intestino (anastomose): a bula pede cautela na diverticulite e depois dessa cirurgia e, na colite ulcerativa, quando há risco de perfuração, de abscesso ou de outra infecção com pus.
- Instabilidade emocional ou tendência psicótica (quadros com delírio ou alucinação): o corticoide pode agravar o que já existia. Um episódio anterior também conta.
- Osteoporose: o corticoide pode enfraquecer mais o osso, e a própria osteoporose está entre as reações adversas da bula.
- Fratura anterior: fratura, inclusive a patológica, que acontece em osso enfraquecido, está entre as reações possíveis, e uma fratura anterior pesa na decisão sem ser contraindicação.
- Glaucoma: no uso prolongado, o corticoide pode causar glaucoma, com possível dano ao nervo óptico.
- Catarata: o uso prolongado também pode causar catarata subcapsular posterior, uma opacidade na parte de trás do cristalino, a lente natural do olho. Em quem já tem glaucoma ou catarata e vai receber doses repetidas, planejo acompanhamento dos olhos.
- Herpes simples do olho: a bula pede cautela pelo risco de perfuração da córnea.
- Fraqueza muscular: o corticoide pode causá-la, reação rara segundo a bula. Fraqueza forte ou que piora nas pernas continua sendo sinal de emergência.
- Miastenia gravis, doença que causa fraqueza muscular: o corticoide pode agravar os sintomas.
Interações com outros remédios
Leve à consulta a lista completa do que você usa e não suspenda nem ajuste nenhum remédio por conta própria. Com anticoagulantes cumarínicos, como a varfarina, o corticoide pode aumentar ou diminuir o efeito do anticoagulante, e a dose pode precisar de ajuste: avise o serviço que controla o seu anticoagulante antes da injeção ou, se ela já foi aplicada, assim que possível.
Com salicilatos, como o ácido acetilsalicílico, o corticoide pode baixar a concentração do remédio no sangue. Anti-inflamatórios não esteroides, como ibuprofeno e diclofenaco, ou álcool associados ao corticoide podem aumentar a ocorrência ou a gravidade de ulcerações gastrintestinais, as feridas no estômago e no intestino.
Diuréticos que eliminam potássio, como a furosemida e a hidroclorotiazida, podem aumentar a hipocalemia, a queda do potássio no sangue. Com glicosídeo cardíaco, como a digoxina, essa queda pode aumentar a chance de arritmia ou de intoxicação pelo próprio glicosídeo (intoxicação digitálica), e a anfotericina B, um antifúngico, amplia a perda de potássio. Nessas combinações, peço dosagem dos sais do sangue, principalmente do potássio.
Fenobarbital, fenitoína, rifampicina e efedrina podem diminuir o efeito do corticoide, e estrogênios, presentes em anticoncepcionais e na reposição hormonal, podem aumentá-lo. O corticoide pode ainda diminuir a resposta à somatotropina, o hormônio do crescimento.
Segundo a bula, algumas vacinas não devem ser aplicadas em quem está recebendo corticoide, principalmente em dose alta: vacinar nessa fase traz provável risco de complicação neurológica, e a vacina pode não formar anticorpos. A vacina contra varíola é proibida durante o uso do corticoide. A bula não diz quais são as outras vacinas nem por quanto tempo depois de uma injeção de depósito a restrição continua. Se você recebeu Betatrinta e tem vacina marcada, informe a data da injeção ao serviço de vacinação e ao médico que a prescreveu.
Doses repetidas
Nos estudos de dor lombar, uma dose única ou um curso curto de corticoide sistêmico não aumentou os eventos adversos graves, com dados limitados. O uso repetido aumenta o risco de efeitos adversos com o tempo: o corticoide acumula efeito sobre osso, músculo, olhos, pele, metabolismo e produção de cortisol, o hormônio que a glândula adrenal produz, e a conta inclui todos os outros corticoides que a pessoa recebeu.
Depois de doses repetidas, o excesso de corticoide pode aparecer no corpo aos poucos: o rosto fica mais cheio e arredondado, e o peso aumenta na barriga ou na parte alta das costas. A bula lista esse quadro, a síndrome de Cushing, entre as reações incomuns. Quem percebe essa mudança marca consulta com o médico que prescreveu e não recebe outra dose antes dela.
A bula registra também a necrose asséptica da cabeça do fêmur e do úmero, a morte de um trecho de osso no quadril ou no ombro por falta de circulação. Por isso, dor nova no quadril ou na virilha em quem recebeu corticoide repetido leva a consulta marcada para exame do quadril, antes de qualquer nova injeção e antes de a dor ser atribuída à coluna.
Uma nova dose depende da doença, da gravidade e de como você respondeu. Sem resposta satisfatória em tempo razoável, a bula orienta suspender o corticoide e passar a outra terapia. Antes de qualquer nova aplicação, revejo o diagnóstico, inclusive a possibilidade de fratura em quem usa corticoide há muito tempo, a função, o exame neurológico, os efeitos adversos e o total de corticoide já recebido.
Depois de uso prolongado ou em dose alta, a glândula adrenal pode ficar meses sem produzir cortisol suficiente (insuficiência adrenal secundária), e a retirada gradual do corticoide pode diminuir esse risco. Depois de uma única injeção, não há retirada gradual a fazer. Quem recebeu doses repetidas avisa a equipe que for operar ou cuidar de uma infecção grave ou de um trauma nos meses seguintes, porque nessas situações a bula prevê repor o corticoide.
Efeitos adversos
Insônia, má digestão (dispepsia), aumento do apetite e maior incidência de infecções aparecem como reações comuns, que atingem entre 1% e 10% das pessoas. Insônia sem mudança de humor, má digestão e aumento do apetite são relatados ao médico ou ao farmacêutico, como a bula orienta para qualquer reação indesejável. A bula lista ainda irregularidade menstrual, entre as reações incomuns, vermelhidão do rosto e do pescoço depois da aplicação, entre as raras, e soluços, sem frequência determinada, e as três seguem a mesma orientação.
No local da injeção, a bula registra, para corticoides injetáveis, afundamento da pele e da gordura debaixo dela (atrofia) e mancha mais clara ou mais escura. Registra também o abscesso estéril, um caroço sem infecção. Caroço ou inchaço que não dói, não cresce e não fica vermelho nem quente, pele que afunda ou muda de cor e dor no local que não aumenta são informados ao médico que prescreveu, como ela orienta, e examinados em consulta marcada.
A bula registra também, sem frequência determinada, reação anafilática, edema angioneurótico (inchaço súbito da pele e das mucosas), queda de pressão e choque. Por causa do risco de reação anafilática, ela pede precaução antes da aplicação, e quem já teve alergia a algum remédio conta isso antes.
Sinais de alerta depois da injeção
Ligue para o SAMU 192 se, depois da injeção, os lábios, a boca, a língua ou a garganta incharem de repente, se a garganta apertar ou se ficar difícil engolir. Um só desses sinais basta: o inchaço pode fechar a passagem do ar. O mesmo vale se placas vermelhas que coçam (urticária) ou inchaço em outra parte do rosto ou do corpo vierem com falta de ar, chiado, desmaio, queda de pressão ou com vômito, diarreia ou dor de barriga que não passam, ou se qualquer reação alérgica piorar depressa. Esses quadros sugerem anafilaxia, a reação alérgica grave.
Ligue também para o SAMU 192 se a pessoa ficar muito sonolenta, não acordar ou não responder quando é chamada ou tocada, ou se a confusão for intensa ou piorar depressa. Desmaio, dificuldade para respirar, convulsão e pensamento ou tentativa de tirar a própria vida também são motivos para chamar o SAMU 192. O médico regulador orienta os primeiros cuidados por telefone e decide o envio da ambulância.
Vômito preto, marrom-escuro ou com sangue pode vir de sangramento no estômago, uma das reações do corticoide: ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro. Fezes pretas como piche ou com sangue são sinal do mesmo sangramento e levam ao mesmo socorro.
Dor forte na barriga, que começa de repente ou aumenta em poucas horas, pode vir de uma úlcera que perfurou o estômago ou o duodeno, reação rara do corticoide: ligue para o SAMU 192 ou vá ao pronto-socorro.
Dose aplicada maior que a prescrita pede socorro médico rápido, com a embalagem em mãos, e o telefone 0800 722 6001, informado na bula, orienta em caso de intoxicação.
Procure avaliação médica no mesmo dia se surgir:
- sinal de infecção: febre, calafrios, dor de garganta, tosse com secreção, dor ao urinar ou ferida que não cicatriza;
- dor ou inchaço que aumentam, vermelhidão, calor ou pus no local da injeção, ou caroço que dói ou cresce: podem ser sinal de infecção;
- sinal de açúcar alto no sangue: sede intensa ou urina em excesso;
- qualquer mudança na visão, que pode vir de aumento da pressão dentro do olho, reação rara do corticoide;
- inchaço ou dor latejante em um braço ou em uma perna, que pode ser trombose venosa profunda, um coágulo dentro de uma veia, reação rara do corticoide;
- alergia sem sinal de gravidade: placas vermelhas que coçam ou inchaço fora dos lábios, da boca e da garganta, com a pessoa acordada e respirando bem;
- mudança de humor, de pensamento ou de comportamento: euforia, humor que oscila, depressão, ansiedade, insônia junto com uma dessas mudanças, confusão com a pessoa acordada e estável, ou ver, ouvir ou sentir coisas que não existem.
Se o médico que prescreveu a injeção não puder atender no mesmo dia, vá a uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Nenhuma dose nova é aplicada antes dessa avaliação.
Alternativas à Betatrinta
Sem sinal de emergência, trato a dor lombar com um programa estruturado de exercícios: atividade organizada, prescrita por um profissional, com carga que aumenta aos poucos. O programa pode trabalhar os músculos da região lombar, do abdome e do quadril ou usar exercícios gerais, como caminhada, bicicleta e fortalecimento de braços e pernas. Na maior parte dos estudos, quem conduziu o programa foi um fisioterapeuta. Nenhum tipo de exercício supera claramente os outros.
O programa busca reduzir a dor e a incapacidade e melhorar a função física, com ganho que costuma ser pequeno a moderado. Quando há efeito adverso, costuma ser uma piora passageira da dor, que leva a ajustar a carga.
Entre os remédios, a diretriz de dor lombar sugere anti-inflamatórios não esteroides, na menor dose e pelo menor tempo que resolvam. O ganho também é pequeno: na dor lombar crônica, 1 em cada 6 pessoas teve por causa do remédio uma melhora relevante da dor ou da função em 4 a 16 semanas de uso, e com 12 semanas ou mais os estudos não mostraram diferença. Eles têm risco para o coração, o estômago e os rins, podem piorar a insuficiência cardíaca e a hipertensão e pedem cautela em idosos e em quem tem doença renal.
Depois da Betatrinta, o anti-inflamatório soma a esses riscos o de úlcera no estômago, maior quando ele e o corticoide agem juntos. A bula não diz por quanto tempo depois da injeção esse risco continua: informe a data da aplicação a quem for receitar o anti-inflamatório e não comece o remédio por conta própria.
Na dor lombar crônica, a que passa de 12 semanas, a duloxetina, um antidepressivo que também age sobre a dor, é outra opção sugerida. Nos estudos, ela baixou a dor entre 0,46 e 0,82 ponto numa régua de 10 pontos, ganho que nem sempre faz diferença no dia a dia. Náusea, insônia, boca seca, intestino preso, sonolência e cansaço são os efeitos adversos mais relatados. A duloxetina tem risco para o fígado, fica fora para quem bebe muito álcool ou tem doença crônica do fígado e pede cautela com outros remédios que agem na serotonina, como alguns antidepressivos.
Gabapentina e pregabalina não têm benefício comprovado na dor lombar, com ou sem dor na perna. Os dois remédios podem causar tontura e sonolência, com risco de queda.
Perguntas antes de aceitar uma injeção de Betatrinta
- Minha dor fica nas costas, desce pela perna ou aparece nas pernas ao andar?
- Tenho algum sinal de infecção, fratura ou câncer que precise de exame antes?
- Quanto corticoide já recebi, somando injeções, comprimidos e outros tratamentos?
- Uso anticoagulante, anti-inflamatório, diurético, remédio para o coração, para diabetes ou para convulsão, ou hormônio?
- Tenho diabetes, pressão alta, insuficiência cardíaca, osteoporose, úlcera, glaucoma ou infecção em curso?
- O que vai tratar a minha dor quando o efeito da injeção passar?