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Machuquei o joelho: avaliação, exames e recuperação

Depois de uma torção ou pancada, o joelho pode ter desde uma entorse estável, que se recupera com proteção e carga progressiva, até uma lesão que precisa de emergência. O que separa as duas é o estado da perna agora: a forma do joelho, a cor e a sensibilidade do pé, o apoio do peso, a velocidade do inchaço e a capacidade de esticar a perna.

Procure um pronto-socorro ou pronto atendimento 24 horas, que encaminha ao hospital quando preciso, sem esperar consulta marcada, se o joelho deformou ou saiu do lugar; o pé ficou frio, pálido, azulado ou dormente, o pulso enfraqueceu ou você não move o pé; há ferida extensa, osso exposto ou sangramento intenso; o volume aumentou muito em 1 a 2 horas e o joelho continua distendido; o joelho travou dobrado, sem conseguir estender; ou você não consegue estender o joelho nem elevar e manter a perna reta. Vale o mesmo quando, depois de fratura, esmagamento ou pancada forte, a dor da perna cresce sem proporção com a lesão, a perna fica tensa ou formiga. Ligue 192 se houver sangramento intenso, trauma grave ou transporte inseguro.

Sem esses sinais, em quem tem 5 anos ou mais, dor localizada em um ponto, derrame ou incapacidade de apoiar o peso pedem avaliação presencial e radiografia inicial, que o mesmo serviço faz ou indica onde fazer. Se nada disso se aplica e o joelho parece estável, procure o posto de saúde perto de casa, mesmo sem agendamento. Até a avaliação, proteja o joelho de nova lesão, minimize caminhadas e não teste movimento ou apoio.

Luxação, fratura exposta e circulação

Deformidade, ferida extensa ou osso exposto levantam suspeita de luxação, fratura aberta ou deslocada e lesão de artéria ou nervo. Enquanto espera o socorro, não tente alinhar o joelho, testar a estabilidade ou forçar o apoio.

Osso aparecendo no ferimento indica fratura exposta; não empurre o osso de volta para dentro do ferimento. Também não faça limpeza profunda da ferida. Protocolo de fratura exposta

Na luxação evidente ou suspeita, a artéria poplítea pode ser lesionada junto; por isso, o pé faz parte do exame do joelho. Pulso ausente, sangramento persistente ou hematoma em expansão são sinais claros de lesão vascular, e a circulação, a sensibilidade e os movimentos do pé são examinados várias vezes. Trauma complexo de membros

Quando há suspeita de que o fêmur e a tíbia saíram do alinhamento (luxação tibiofemoral), mesmo que o joelho pareça ter voltado ao lugar, ou de lesão de vários ligamentos que deixou o joelho muito instável (lesão multiligamentar), trato o caso como emergência vascular, ainda que o pé esteja quente e os pulsos sejam palpáveis. A artéria pode estar lesionada mesmo com pulsos iguais nos dois pés, e a comparação da pressão arterial no tornozelo e no braço (índice tornozelo-braquial) mostra quando é preciso investigar a artéria com outros exames. Luxação do joelho na emergência

Síndrome compartimental

Após trauma grave, fratura, esmagamento ou contusão muscular importante, dor intensa e progressiva, desproporcional à lesão, que piora ao esticar os músculos, com a musculatura da perna tensa ou cheia e formigamento, levanta suspeita de síndrome compartimental aguda. Dormência e paralisia são sinais tardios; não espere por eles.

O pulso pode continuar normal mesmo com síndrome compartimental aguda. Quando ele some e a perna fica pálida e fria, a circulação e a viabilidade do membro já estão comprometidas. Vigilância após trauma da perna

A síndrome compartimental aguda é uma emergência cirúrgica; diante da suspeita, não espere a dor melhorar em casa. No hospital, o diagnóstico vem do exame repetido e, quando necessário, da medida da pressão dentro do compartimento muscular. Síndrome compartimental aguda

Na fratura da tíbia, a vigilância para síndrome compartimental dura 48 horas após a lesão ou a fixação, com avaliação clínica seriada no hospital. Recomendações para fraturas complexas

Inchaço, bloqueio e falseio

O inchaço grande que aparece em 1 a 2 horas depois do trauma pode ser sangue dentro da articulação, a hemartrose. Se o exame sugere hemartrose ou derrame tenso, encaminho para a emergência. Critérios para o joelho agudo

Bloqueio verdadeiro é o joelho que fica preso em flexão e não consegue chegar à extensão, diferente de reduzir o movimento apenas porque dói. Avaliação do joelho doloroso Falseio é a sensação de que o joelho cede sob o peso. Falseio após trauma

Diferencial

Inchaço, travamento e falseio depois do trauma

SinalO que pode serPróximo passo
Inchaço grande em 1 a 2 horasSangue dentro da articulaçãoExame e imagem procuram a estrutura lesionada
Joelho preso sem chegar à extensãoLesão interna que trava o joelhoRadiografia e, se preciso, ressonância
Dor óssea em um pontoFratura ou avulsãoRadiografia
Falseio repetidoInstabilidade do joelhoExame de estabilidade antes de corrida, salto ou mudança de direção

Exame físico

No exame, sigo uma sequência: inspeção, palpação, amplitude de movimento e força, circulação e nervos, e testes provocativos selecionados. Também observo se você consegue caminhar e dar 4 passos, o que pesa na decisão sobre apoio e radiografia. Avaliação inicial do joelho

A inspeção mostra alinhamento, derrame, hematoma e feridas. A palpação localiza a dor nos pontos ósseos e nas partes moles. A amplitude ativa e passiva separa perda de extensão, limitação de flexão e bloqueio; a força e a extensão ativa mostram se o mecanismo extensor funciona.

Na suspeita de lesão do ligamento cruzado anterior, somo a história da torção ou do estalo ao exame dirigido do joelho. O relato orienta as perguntas, e o exame testa a estabilidade dos ligamentos com manobras específicas. Lesões do ligamento cruzado anterior

Dor e derrame podem limitar os testes provocativos na fase aguda; sem indicação de emergência, adio ou repito esses testes depois que o derrame diminui.

Perda aguda da extensão ativa

Após trauma, nova incapacidade de estender ativamente o joelho contra a gravidade ou de elevar e manter a perna estendida levanta suspeita de lesão aguda do mecanismo extensor, o conjunto de quadríceps, tendão do quadríceps, patela e tendão patelar. O exame e a imagem, feitos logo após o trauma, mostram qual dessas partes falhou. Atualização ortopédica para clínicos Quando a dor apenas limita a extensão e o exame mostra o mecanismo extensor íntegro, acompanho em consulta. Critérios do joelho agudo

Radiografia

Em adultos e crianças a partir de 5 anos, a radiografia é o primeiro exame após trauma com dor focal, derrame ou incapacidade de apoiar peso. Ela procura fratura, desalinhamento, avulsão e alterações que mudam a proteção de carga. Imagem no trauma agudo do joelho

A regra de Ottawa seleciona radiografia para pesquisar fratura em adultos quando há qualquer um destes critérios: idade de 55 anos ou mais, dor isolada na patela, dor na cabeça da fíbula ou incapacidade de flexionar o joelho a 90 graus. A incapacidade de dar 4 passos com apoio de peso logo após o trauma e novamente na avaliação também é um critério; os 4 passos podem ser dados mancando. Regra de Ottawa no joelho Uso da regra de Ottawa

Uma regra de Ottawa negativa dispensa a radiografia para fratura. Menisco, ligamento e cartilagem continuam sendo avaliados no exame físico e, quando preciso, na ressonância.

Em menores de 5 anos, a escolha do exame de imagem é individual e depende da avaliação pediátrica. Critérios de imagem por idade

Ressonância

A ressonância é mais útil depois que a avaliação clínica levanta suspeita de lesão interna e a radiografia não explica o quadro. Ela mostra ligamentos, meniscos, cartilagem, medula óssea e tendões, e na consulta comparo cada achado do laudo com o mecanismo, os sintomas e o exame físico. Imagem de lesões internas e fraturas ocultas

Não peço ressonância de rotina logo após o trauma: ela encontra alterações sem relação com a dor, e circulação e fratura são avaliadas antes, no exame e na radiografia. Depois de radiografias normais, a ressonância é o próximo exame quando permanece a suspeita clínica de fratura oculta ou lesão interna.

Exames

Imagem após machucar o joelho

ExameO que ajuda a verLimite
RadiografiaFratura, avulsão e alinhamentoPrimeiro exame quando há critérios clínicos de lesão óssea
Ressonância sem contrasteMenisco, ligamentos, cartilagem e fratura ocultaIndicada quando a suspeita interna persiste após radiografia e exame

Controle inicial da dor

Em adultos com lesão musculoesquelética aguda localizada, sem sinal de emergência, o primeiro remédio que indico é o anti-inflamatório não esteroidal (AINE) tópico, aplicado sobre a pele da região. Dor musculoesquelética aguda em adultos

Um exemplo é o diclofenaco dietilamônio gel dermatológico 11,6 mg/g, aprovado no Brasil para adultos e adolescentes acima de 14 anos em lesões musculares ou articulares, como entorses, distensões e contusões. Nessa formulação, o diclofenaco é um anti-inflamatório tópico que age na região inflamada para aliviar o inchaço e a dor.

Não use em menores de 14 anos, sobre cortes, feridas abertas, erupções ou eczema, nem se diclofenaco ou outro anti-inflamatório já lhe causou chiado, falta de ar, urticária, coriza ou inchaço no rosto ou na língua. Não cubra o gel com plástico ou curativo que abafe a pele, pare se surgir erupção e me conte quais outros remédios você usa. Coceira, vermelhidão e dermatite estão entre as reações comuns. Diclofenaco gel na Anvisa

Se você está grávida, planeja engravidar ou amamenta, o gel só entra depois de avaliação médica: essa formulação é contraindicada nos 3 últimos meses de gravidez, e na amamentação o uso pede acompanhamento. Se não houver melhora após 1 semana ou se os sintomas piorarem, faça uma revisão médica. Não use por mais de 2 semanas.

Não indico opioide como tratamento inicial de rotina para lesões musculoesqueléticas agudas; ele fica restrito a lesão grave ou intolerância às opções iniciais.

Apoio, muletas e reabilitação

O quanto você apoia e movimenta o joelho depende da lesão provável e do que o exame mostrou: depois do exame, defino a quantidade de apoio, a amplitude de movimento e se você precisa de muletas. Uma fratura protegida, uma luxação reduzida, uma lesão de vários ligamentos, uma ruptura do mecanismo extensor, um menisco bloqueado e uma entorse estável têm regras de apoio diferentes.

A reabilitação avança em amplitude, força, equilíbrio e marcha no ritmo que a lesão provável permite. Extensão, derrame e estabilidade mostram se o joelho melhora ou piora. Se a dor ou o inchaço aumentam depois de uma atividade, diminua a carga. Reabilitação da entorse ligamentar do joelho

Objetivo funcional

Sinais de que o joelho está melhorando

01Caminhar o trajeto combinado mancando menos e sem mais apoio externo
02Subir a escada, quando eu permitir, sem novo falseio nem inchaço depois
03Chegar mais perto da extensão completa
04Ver o derrame diminuir sem voltar após a atividade
05Manter o joelho estável no dia a dia

Se o exame mostrar uma entorse estável que ainda precisa de acompanhamento, marque a reavaliação para 4 a 5 dias. Nesse retorno, comparo dor, inchaço, extensão e marcha; sem melhora, reviso a gravidade, o diagnóstico e a proteção de carga. Se a dor piorar, o inchaço aumentar ou a perna mudar de cor ou de sensibilidade, volte antes. Seguimento da entorse

Instabilidade, menisco e cirurgia

Quando exame e imagem mostram uma lesão meniscal aguda deslocada, ou capaz de deslocar, que restringe a amplitude, considero uma avaliação ortopédica precoce. Estalo, dor na linha articular ou achado casual na ressonância, sem essa restrição, ficam fora dessa indicação. Lesão aguda do menisco

Se o falseio se repete, examino o joelho de novo; a estabilidade e a função decidem se há encaminhamento. Falseio repetido

A decisão sobre reconstrução do ligamento cruzado anterior é da avaliação ortopédica e soma história, exame, instabilidade e função ao resultado da ressonância. Decisão sobre o ligamento cruzado anterior