Bursite no Calcâneo – Causas, Sintomas e Tratamentos

fevereiro 17, 2026
escrito por: Dr. Marcus Yu Bin Pai

Médico Fisiatra e Especialista em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP.

O Que é Bursite no Calcâneo

A bursite no calcâneo é uma condição inflamatória que acomete as bursas localizadas na região posterior do calcanhar. As bursas são pequenas estruturas em forma de saco, preenchidas por líquido sinovial, que funcionam como amortecedores entre ossos, tendões, músculos e pele, reduzindo o atrito durante os movimentos.

No calcanhar, existem duas bursas principais que podem ser afetadas: a bursa retrocalcânea, posicionada entre o osso do calcanhar e o tendão de Aquiles, e a bursa calcânea superficial, localizada entre a pele e o tendão. Quando essas estruturas sofrem inflamação, o resultado é dor, inchaço e dificuldade para realizar atividades cotidianas como caminhar ou permanecer em pé por períodos prolongados.

Esta condição afeta especialmente atletas, trabalhadores que passam muitas horas em pé e pessoas acima do peso, embora possa ocorrer em qualquer indivíduo. O diagnóstico preciso é fundamental para estabelecer o tratamento mais adequado e evitar complicações a longo prazo.

Anatomia da Região Calcânea

Bursa Retrocalcânea
Entre o calcâneo e o tendão de Aquiles
Bursa Calcânea Superficial
Entre a pele e o tendão de Aquiles
Tendão de Aquiles
Maior tendão do corpo, conecta panturrilha ao calcanhar
Osso Calcâneo
Osso do calcanhar, suporta peso corporal

Principais Causas e Fatores de Risco

A bursite calcânea desenvolve-se geralmente por combinação de fatores mecânicos e biomecânicos. O uso repetitivo da articulação do tornozelo, especialmente em atividades que envolvem corrida, saltos ou caminhadas prolongadas em superfícies duras, representa uma das principais causas da inflamação.

Calçados inadequados constituem fator de risco significativo. Sapatos com contraforte rígido que pressiona diretamente a região posterior do calcanhar, bem como calçados sem adequado suporte de arco plantar ou amortecimento insuficiente, podem desencadear ou agravar o quadro inflamatório.

Alterações biomecânicas dos pés também contribuem para o desenvolvimento da bursite. Pés planos, cavos ou com pronação excessiva alteram a distribuição de cargas durante a marcha, sobrecarregando as estruturas posteriores do calcanhar. Da mesma forma, encurtamento do tendão de Aquiles, frequentemente observado em mulheres que usam saltos altos regularmente, aumenta a tensão sobre as bursas locais.

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Fatores de Risco Importantes

  • Sobrepeso e obesidade
  • Atividades esportivas de alto impacto
  • Artrite reumatoide ou gota
  • Infecções bacterianas locais
  • Traumas diretos na região do calcanhar

Condições sistêmicas como artrite reumatoide, espondilite anquilosante e gota podem estar associadas à bursite, configurando quadros de bursite inflamatória ou crystal-induced. Nesses casos, o tratamento deve abordar tanto a condição de base quanto a inflamação local.

Sinais e Sintomas da Bursite Calcânea

O quadro clínico da bursite no calcâneo caracteriza-se por dor na face posterior do calcanhar, que pode variar de intensidade conforme o estágio da inflamação e as atividades realizadas. A dor tende a piorar ao pressionar a região, usar certos tipos de calçado ou realizar movimentos de dorsiflexão do pé.

Inchaço localizado é frequentemente observado, podendo ser acompanhado de vermelhidão e aumento da temperatura cutânea na região afetada. Em casos mais avançados, pode haver formação de nódulo palpável na parte posterior do calcanhar, resultado do espessamento crônico da bursa.

A rigidez matinal representa sintoma comum, especialmente em casos de bursite crônica. Pacientes frequentemente relatam dificuldade para dar os primeiros passos ao sair da cama, com melhora progressiva após alguns minutos de caminhada.

Sintomas e Condutas na Bursite Calcânea
Sintoma Características Conduta Inicial
Dor no calcanhar Latejante, piora com pressão e movimento Repouso relativo, gelo local, analgésicos
Inchaço local Aumento de volume na região posterior Elevação do membro, compressão fria
Vermelhidão e calor Sinais inflamatórios na pele Anti-inflamatórios tópicos ou orais
Rigidez matinal Dificuldade inicial ao caminhar Exercícios de alongamento suaves

Como é Feito o Diagnóstico

O diagnóstico da bursite calcânea inicia-se com anamnese detalhada e exame físico completo. O médico avalia a história de dor, fatores desencadeantes, atividades realizadas e presença de condições associadas. No exame físico, observa-se a presença de edema, sensibilidade à palpação, alterações de mobilidade do tornozelo e sinais inflamatórios locais.

Exames de imagem complementam a avaliação clínica. A ultrassonografia constitui método de escolha para visualização das bursas, permitindo identificar espessamento, acúmulo de líquido e alterações circunvizinhas. A ressonância magnética pode ser solicitada em casos de dúvida diagnóstica ou quando se suspeita de lesões associadas do tendão de Aquiles.

Radiografias simples são úteis para excluir outras condições como fraturas, esporões ósseos ou artrite. Em casos suspeitos de bursite infecciosa, pode ser necessária aspiração do líquido sinovial para análise laboratorial.

Etapas do Diagnóstico

1
Anamnese detalhada – História clínica e sintomas
2
Exame físico – Palpação e testes de mobilidade
3
Ultrassonografia – Visualização das estruturas moles
4
Exames complementares – Ressonância ou radiografia se necessário

Tratamento Não Cirúrgico

A abordagem terapêutica da bursite calcânea prioriza inicialmente medidas conservadoras, que são eficazes na maioria dos casos. O protocolo de tratamento inclui modificação de atividades, uso de calçados adequados, fisioterapia, medicamentos e procedimentos minimamente invasivos quando necessário.

Medidas Iniciais e Conservadoras

O repouso relativo constitui a primeira intervenção, evitando atividades que exacerbam a dor. A aplicação de gelo local por 15 a 20 minutos, três a quatro vezes ao dia, auxilia na redução da inflamação e alívio sintomático. A elevação do membro inferior favorece a drenagem do edema.

A modificação calçado é fundamental. Calçados com contraforte macio, salto moderado de 1 a 2 centímetros e bom amortecimento reduzem a pressão sobre a região afetada. Talas ou órteses de silicone podem ser prescritas para proteger a área e redistribuir as cargas.

Checklist de Tratamento em Casa

Medicamentos

Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são frequentemente prescritos para controle da dor e inflamação. Medicações como ibuprofeno, naproxeno ou diclofenaco podem ser utilizadas por via oral ou tópica. A escolha do medicamento e posologia deve ser individualizada, considerando contraindicações e possíveis efeitos adversos.

Em casos de dor intensa ou persistente, a infiltração com corticoide pode ser indicada. O procedimento consiste na aplicação de medicação anti-inflamatória diretamente na bursa afetada, proporcionando alívio sintomático significativo. Deve ser realizado por médico experiente, com técnica asséptica rigorosa para evitar complicações infecciosas.

Fisioterapia e Reabilitação

A fisioterapia desempenha papel central no tratamento da bursite calcânea. Programas de alongamento do tendão de Aquiles e musculatura da panturrilha reduzem a tensão sobre as bursas. Exercícios de fortalecimento dos músculos intrínsecos do pé e da musculatura estabilizadora do tornozelo melhoram a biomecânica e previnem recidivas.

Recursos eletroterapêuticos como ultrassom terapêutico, laser de baixa potência e correntes elétricas podem ser utilizados como coadjuvantes no controle da inflamação e dor. A terapia manual, incluindo mobilização de tecidos moles e técnicas de liberação miofascial, complementa o tratamento.

Terapia por Ondas de Choque

A terapia por ondas de choque extracorpóreas representa opção eficaz para casos de bursite crônica refratária ao tratamento conservador inicial. O método utiliza ondas acústicas de alta energia que estimulam processos de reparo tecidual, aumentam a vascularização local e reduzem a dor através de mecanismos neurofisiológicos.

Sessões semanais, em número de três a cinco, são geralmente suficientes para promover melhora significativa. O procedimento é realizado ambulatorialmente, não requer anestesia na maioria dos casos e apresenta baixo índice de efeitos adversos.

Acupuntura Médica

A acupuntura médica constitui modalidade terapêutica eficaz no manejo da dor associada à bursite calcânea. A técnica, realizada por médico capacitado, utiliza pontos específicos para modular vias de controle da dor, reduzir inflamação e promover relaxamento muscular. Pode ser utilizada isoladamente ou em combinação com outras abordagens terapêuticas.

Tratamentos Injetáveis Avançados

Para casos selecionados, tratamentos injetáveis avançados podem ser considerados. A mesoterapia envolve a aplicação de pequenas quantidades de medicação na derme sobre a região afetada, promovendo efeito anti-inflamatório local prolongado com menor risco de efeitos sistêmicos.

O uso de toxina botulínica (botox) tem demonstrado eficácia em casos de dor crônica, atuando na modulação da sensibilidade nervosa e relaxamento muscular. A eletroestimulação percutânea (PENS) combina elementos da acupuntura e estimulação elétrica, promovendo analgesia de forma minimamente invasiva.

Opções Terapêuticas e Evidência Científica
Tratamento Indicação Evidência
AINEs orais/tópicos Dor moderada, fase aguda Alta eficácia, bem estabelecido
Infiltração corticoide Dor intensa ou refratária Alta eficácia a curto prazo
Fisioterapia Todos os estágios Alta eficácia, essencial
Ondas de choque Bursite crônica Evidência moderada a alta
Acupuntura médica Controle da dor Evidência moderada
Laser alta intensidade Inflamação, reparo tecidual Evidência crescente

Quando Procurar Atendimento Médico

A maioria dos casos de bursite calcânea responde bem ao tratamento conservador. Entretanto, determinados sinais e sintomas indicam necessidade de avaliação médica urgente. A presença de febre, calafrios, vermelhidão intensa e progressiva ou secreção na região do calcanhar pode sugerir bursite infecciosa, condição que requer tratamento antibiótico imediato.

Dor que não melhora após duas semanas de tratamento conservador, dificuldade para caminhar ou apoiar o pé no solo, e surgimento de dormência ou formigamento no pé são sinais de alerta que justificam consulta médica. Pacientes com doenças sistêmicas como diabetes, artrite reumatoide ou imunossupressão devem ser avaliados precocemente.

Sinais de Alerta – Procure Atendimento

Febre acima de 38°C
Vermelhidão intensa e extensiva
Incapacidade de apoiar o pé
Dor noturna intensa
Dormência ou formigamento
Sem melhora em 2 semanas

Como Prevenir a Bursite Calcânea

A prevenção da bursite no calcâneo baseia-se na adoção de medidas que reduzam a sobrecarga das estruturas posteriores do calcanhar. A escolha de calçados adequados representa intervenção de maior impacto, devendo-se preferir modelos com amortecimento satisfatório, suporte de arco compatível com a biomecânica individual e contraforte que não pressione excessivamente a região do tendão de Aquiles.

A prática regular de exercícios de alongamento do tendão de Aquiles e musculatura da panturrilha mantém a flexibilidade adequada e reduz a tensão sobre as bursas. O fortalecimento progressivo dos músculos do pé e tornozelo melhora a estabilidade e distribuição de cargas durante as atividades.

Atletas e trabalhadores que permanecem longos períodos em pé devem implementar períodos de descanso regulares e alternar atividades quando possível. O controle do peso corporal reduz a carga mecânica sobre as estruturas do pé, contribuindo para a prevenção não apenas da bursite, mas de diversas condições do aparelho locomotor.

Grau de Recomendação das Medidas Preventivas

Uso de calçados adequados 98%
Alongamentos regulares 92%
Controle do peso corporal 85%
Fortalecimento muscular 88%
Pausas durante atividades prolongadas 78%

Prognóstico e Expectativas

O prognóstico da bursite calcânea é geralmente favorável quando o tratamento é instituído adequadamente. A maioria dos pacientes apresenta melhora significativa dos sintomas dentro de quatro a seis semanas com abordagem conservadora. Casos crônicos podem requerer período mais prolongado de tratamento e eventualmente procedimentos adicionais.

A recorrência é possível, especialmente quando os fatores predisponentes não são adequadamente abordados. Pacientes que mantêm medidas preventivas, utilizam calçados adequados e realizam exercícios de alongamento regularmente apresentam menor taxa de recidiva. O acompanhamento médico periódico permite ajustes terapêuticos e intervenção precoce em caso de novos episódios.

Complicações são raras quando o tratamento é realizado corretamente. A bursite infecciosa, quando não tratada prontamente, pode evoluir com abscesso ou disseminação da infecção. Infecções recorrentes da bursa podem levar a alterações estruturais permanentes, justificando avaliação especializada nos casos de maior complexidade.

Tratamento Especializado para Bursite no Calcâneo

A Clínica Dr. Hong Jin Pai oferece tratamento individualizado com médicos e fisioterapeutas especialistas em dor, do Grupo de Dor da Neurologia e Ortopedia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

Acupuntura Médica Ondas de Choque Laser Alta Intensidade Fisioterapia Individual Dry Needling RPG

Localização: Al. Jaú, 687 – Região Central de São Paulo – SP

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Perguntas Frequentes

O que causa bursite no calcanhar? +
A bursite no calcanhar é causada principalmente por uso excessivo da articulação, calçados inadequados com contraforte rígido, atividades de alto impacto como corrida, alterações biomecânicas dos pés e condições como artrite. O tratamento foca em reduzir a inflamação e corrigir os fatores predisponentes.
Quanto tempo leva para curar a bursite no calcâneo? +
A maioria dos casos de bursite calcânea apresenta melhora significativa em quatro a seis semanas com tratamento conservador adequado. Casos crônicos podem requerer período mais prolongado, entre dois e três meses, dependendo da adesão ao tratamento e correção dos fatores desencadeantes.
Bursite no calcanhar precisa de cirurgia? +
A cirurgia raramente é necessária para tratamento da bursite calcânea. Mais de 95% dos casos respondem ao tratamento não cirúrgico, que inclui medicamentos, fisioterapia, ondas de choque e procedimentos minimamente invasivos. A cirurgia é reservada para casos muito específicos e refratários.
Qual o melhor tratamento para bursite no calcanhar? +
O melhor tratamento combina repouso relativo, aplicação de gelo, anti-inflamatórios, fisioterapia com alongamentos e fortalecimento, além de ajuste calçado. Em casos mais resistentes, ondas de choque, acupuntura médica e infiltrações podem ser utilizados com excelente eficácia.
Posso caminhar com bursite no calcanhar? +
A caminhada é permitida desde que não provoque dor intensa. Recomenda-se reduzir a distância e intensidade, usar calçados adequados com amortecimento e evitar superfícies duras. Se a dor aumentar durante ou após a caminhada, deve-se reduzir ainda mais a atividade.
Qual tipo de calçado devo usar para bursite? +
Calçados ideais possuem contraforte macio ou rebaixado na região do calcanhar, bom amortecimento, suporte de arco adequado e salto moderado de 1 a 2 centímetros. Evite sapatos rígidos que pressionam o calcanhar ou modelos completamente planos sem suporte.
A bursite no calcanhar pode voltar? +
Sim, a bursite pode recorrer se os fatores causadores não forem corrigidos. A prevenção inclui uso permanente de calçados adequados, manutenção de alongamentos regulares, controle do peso e ajustes nas atividades físicas. O acompanhamento médico periódico ajuda a prevenir novos episódios.
Ondas de choque funcionam para bursite calcânea? +
Sim, a terapia por ondas de choque apresenta eficácia comprovada para bursite calcânea crônica, com taxas de sucesso entre 70% e 80%. O tratamento estimula a regeneração tecidual, melhora a vascularização e reduz a dor. Geralmente são necessárias três a cinco sessões semanais.
Qual a diferença entre bursite e tendinite de Aquiles? +
A bursite acomete as bursas, pequenas bolsas de líquido que reduzem o atrito, enquanto a tendinite afeta o próprio tendão de Aquiles. A localização da dor difere: na bursite, a dor está mais posterior e lateral ao tendão, enquanto na tendinite a dor está diretamente sobre o tendão. Ambas podem coexistir.
Como é feita a infiltração para bursite? +
A infiltração consiste na aplicação de medicação anti-inflamatória, geralmente corticoide, diretamente na bursa afetada. O procedimento é realizado em consultório, com anestesia local, dura poucos minutos e proporciona alívio rápido da dor. Deve ser executado por médico experiente.
Bursite no calcanhar dá para trabalhar? +
Na maioria dos casos é possível continuar trabalhando com adaptações. Trabalhadores que ficam muito tempo em pé podem necessitar de pausas mais frequentes, uso de calçados especiais e eventualmente ajuste temporário de funções. O afastamento é raro e reservado para casos graves.
Acupuntura ajuda no tratamento da bursite? +
Sim, a acupuntura médica é eficaz no controle da dor e inflamação da bursite calcânea. A técnica atua modulando as vias de percepção dolorosa e promovendo relaxamento muscular. Pode ser usada isoladamente ou em combinação com outras terapias, sem efeitos colaterais significativos.
Que médico procurar para bursite no calcanhar? +
Ortopedista, reumatologista ou médico especialista em dor são os profissionais mais indicados para avaliação da bursite calcânea. O diagnóstico diferencial é importante, pois outras condições podem simular bursite. Escolha um profissional com experiência em afecções do pé e tornozelo.
Bursite infecciosa é perigosa? +
Sim, a bursite infecciosa requer tratamento urgente com antibióticos e pode necessitar de drenagem cirúrgica. Sinais como febre, vermelhidão intensa, calor local aumentado e mal-estar geral indicam possível infecção. Procure atendimento médico imediato se apresentar esses sintomas.
Exercícios de alongamento ajudam na bursite? +
Sim, alongamentos do tendão de Aquiles e musculatura da panturrilha são fundamentais no tratamento e prevenção da bursite. Devem ser realizados de forma suave e progressiva, sem causar dor intensa. A fisioterapia orienta a técnica correta para maximizar os benefícios e evitar lesões.

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Médico especialista em Dor e Fisiatria pela USP. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Professor e Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP.