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Cefaleia cervicogênica: diagnóstico e tratamento do pescoço

A cefaleia cervicogênica é uma dor de cabeça causada por uma alteração cervical. O tratamento depende de demonstrar essa relação: a dor habitual acompanha um problema do pescoço, o exame encontra limitações compatíveis e a evolução das duas queixas ajuda a confirmar a origem. Dor na nuca, contratura ou um laudo com desgaste cervical, isoladamente, não estabelecem o diagnóstico. [1]

Quando o quadro é cervical, a fisioterapia combina recuperação do movimento, controle muscular e resistência para as atividades que provocam sintomas. A escolha dos exercícios parte do exame; mobilização manual entra quando há uma restrição que interfere nesse trabalho. [2]

Origem cervical e outras cefaleias

Dor que permanece de um lado, começa atrás e se projeta para a frente, ou é reproduzida por movimento cervical, aumenta a suspeita. Esses sinais também aparecem em outras cefaleias; a ligação temporal com o problema cervical e a melhora paralela das queixas tornam a interpretação mais consistente.

Enxaqueca pode produzir dor cervical, náusea e sensibilidade à luz ou ao som. Sintomas migranosos também podem acompanhar uma cefaleia cervicogênica. Já a sensibilidade dos músculos à pressão aparece em quadros tensionais e miofasciais: encontrar um ponto doloroso não encerra o diagnóstico. [1]

Exame do movimento e da função muscular

A avaliação combina mobilidade cervical, reprodução da dor habitual e desempenho dos músculos do pescoço. O teste de flexão-rotação cervical avalia a rotação da parte superior da coluna; a amplitude total e a mobilidade dos segmentos cervicais ajudam a localizar a restrição. Importa reconhecer a cefaleia habitual durante o exame, e não apenas encontrar algum desconforto ao apertar a região.

O teste de flexão craniocervical examina um movimento pequeno, semelhante a concordar com a cabeça, para observar controle e resistência dos flexores profundos. O exame também avalia a capacidade de sustentar e coordenar pescoço e cintura escapular. A combinação de achados define se a prioridade é recuperar movimento, melhorar controle ou aumentar a resistência muscular. [2]

O papel da ressonância

A ressonância cervical não confirma, sozinha, que a dor de cabeça nasce no pescoço. Alterações estruturais também aparecem em pessoas sem cefaleia. Um achado precisa corresponder à história, ao exame e à hipótese que motivou o pedido.

Na suspeita de cefaleia cervicogênica sem déficit neurológico, a decisão de fazer ressonância depende da dúvida clínica que permanece. Não existe uma imagem característica que substitua essa avaliação. Quando a queixa inclui sinais de doença neurológica, infecção, trauma ou outra causa secundária, a investigação passa a responder a essa suspeita específica. [3]

Fisioterapia dirigida à cefaleia

O tratamento com exercício trabalha controle do movimento e resistência dos músculos cervicais e escapulares. O treino inicial de baixa carga permite praticar a flexão craniocervical de forma lenta e sustentada, sem transformar o movimento em uma elevação ampla da cabeça. O fisioterapeuta observa a execução e ajusta a dificuldade conforme o controle melhora.

A progressão acrescenta resistência das musculaturas cervical e escapular e contrações suaves contra resistência, inclusive em rotação. Alongamento entra quando o exame identifica uma limitação pertinente. Assim, o exercício tem um alvo identificável: manter controle sob carga e sustentar a função por mais tempo. [4]

Mobilização e exercício em conjunto

A mobilização cervical com movimento pode complementar os exercícios para reduzir a frequência e a intensidade da cefaleia. Nessa técnica, o fisioterapeuta associa uma mobilização articular ao movimento realizado pelo paciente. A resposta é acompanhada pela rotação cervical e pela cefaleia, além da capacidade funcional.

O papel da técnica manual é definido dentro do programa de exercício. [5]

Alívio da dor e uso de medicamentos

Na fase aguda da cefaleia cervicogênica, um anti-inflamatório não esteroide (AINE) pode ser usado para aliviar a dor, junto da fisioterapia. A decisão considera quanto a dor limita as atividades e os riscos individuais. [6] Quando indicado, o uso deve durar o menor tempo necessário. [7]

AINEs podem causar dor de estômago, além de úlcera, sangramento digestivo e problemas renais. Também podem aumentar o risco de infarto ou AVC. História de úlcera, doença renal ou cardiovascular, gravidez e alergia a AINEs precisam ser revistas antes da indicação. A revisão inclui anticoagulantes e outros anti-inflamatórios que a pessoa já usa. [8][7]

O uso frequente de medicamentos para aliviar crises também precisa entrar na investigação da cefaleia. Registrar os dias de uso, inclusive de combinações vendidas sem receita, ajuda a reconhecer quando o padrão de consumo pode estar contribuindo para a dor de cabeça. Quando a avaliação identifica cefaleia por uso excessivo de medicamentos, a retirada ou o ajuste deve ser planejado conforme o fármaco utilizado. [9]

Evolução e ajuste da reabilitação

A resposta ao tratamento inclui frequência, duração e intensidade das crises, além da interferência nas atividades. Na dor persistente, um registro breve dessas medidas torna perceptível a diferença entre um alívio passageiro e uma mudança sustentada. [9]

A reavaliação física compara mobilidade e desempenho muscular com os achados iniciais. Se o pescoço melhora e a cefaleia permanece igual, a relação entre as queixas merece nova análise. A investigação pode revelar uma cefaleia primária associada. [1]

Cefaleia que exige avaliação rápida

Dor de cabeça súbita e intensa, alteração neurológica nova ou piora com febre exigem avaliação imediata. Fraqueza nova, dificuldade para falar ou alteração da consciência mudam a prioridade para atendimento de emergência, antes de tratar o pescoço. Uma mudança importante no padrão da cefaleia também exige investigação, sobretudo quando há trauma recente ou comprometimento da imunidade. [9]