Tendinopatia do Supraespinhal
Guia completo sobre diagnóstico, tratamento e reabilitação da lesão mais comum do manguito rotador
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O que é Tendinopatia do Supraespinhal
Uma das causas mais frequentes de dor no ombro em adultos
A tendinopatia do supraespinhal é uma condição degenerativa que afeta o tendão do músculo supraespinhal, um dos quatro tendões que compõem o manguito rotador. Esta condição representa uma das causas mais comuns de dor no ombro, especialmente em pacientes acima de 40 anos.
Caracteriza-se por dor na região lateral e anterior do ombro, que pode irradiar para o braço, e é frequentemente associada à limitação dos movimentos, especialmente da abdução e rotação. A condição pode variar desde tendinite aguda até degeneração crônica com possível ruptura tendínea.
Prevalência
A tendinopatia do supraespinhal afeta aproximadamente 7-34% da população adulta, sendo mais prevalente em mulheres e na faixa etária entre 40-60 anos.
Manguito Rotador
Grupo de 4 músculos e tendões do ombro
🎯
Dor no Ombro
Dor na região lateral do ombro que piora com movimentos elevados e atividades acima da cabeça.
🔄
Limitação Funcional
Dificuldade para realizar atividades diárias como pentear cabelo, vestir-se ou carregar objetos.
⚡
Impacto na Qualidade de Vida
Afeta significativamente a capacidade laboral e atividades recreativas, podendo levar a depressão e ansiedade.
Anatomia do Supraespinhal
Estrutura anatômica e função do tendão mais afetado do manguito rotador
Anatomia do Ombro
O supraespinhal origina-se na fossa supraespinhal da escápula e insere-se no tubérculo maior do úmero
Estrutura e Função
O músculo supraespinhal é um dos quatro componentes do manguito rotador, juntamente com o infraespinhal, redondo menor e subescapular. Ele desempenha um papel fundamental na biomecânica do ombro:
- Adução inicial: Inicia os primeiros 15-30° de abdução do ombro
- Estabilização: Estabiliza a cabeça do úmero na cavidade glenoide
- Centragem: Mantém o centro de rotação do ombro durante movimentos
- Prevenção de impacto: Evita o choque entre tendões e estruturas ósseas
Biomecânica
Movimentos complexos e coordenados
🦴 Origem
Fossa supraespinhal da escápula, coberta pelo músculo trapézio
💪 Inserção
Tubérculo maior do úmero, porção superior do manguito rotador
🩸 Vascularização
Área hipovascular (“zona crítica”) predisposta à degeneração
⚡ Inervação
Nervo supraescapular (C5-C6) responsável pela motricidade
Causas e Fatores de Risco
Mecanismos etiológicos e fatores predisponentes
🎯
Impacto Subacromial
Compressão do tendão no espaço subacromial durante movimentos de abdução, causando atrito e inflamação crônica.
⚡
Sobrecarga Repetitiva
Atividades que exigem movimentos repetitivos acima da cabeça, como em esportes (natação, tênis) e ocupações (pintores, eletricistas).
🦴
Alterações Degenerativas
Processo natural de envelhecimento do tendão, com perda de colágeno organizado e redução da vascularização.
Estágios da Degeneração Tendínea (Código de Codman)
Edema e Hemorragia
Fase aguda com inflamação, edema e possíveis micro-hemorragias no tendão.
Fibrose
Formação de tecido cicatricial e espessamento do tendão como resposta à lesão inicial.
Degeneração e Ruptura
Degeneração avançada com possível ruptura parcial ou completa das fibras tendíneas.
👵 Idade
Envelhecimento natural dos tecidos tendíneos e redução da capacidade regenerativa
🧬 Genética
Predisposição genética para alterações no colágeno e tecido conectivo
🩸 Metabólicos
Diabetes, tabagismo e dislipidemias que afetam a qualidade tecidual
🏋️ Atividade
Esportes e ocupações com movimentos repetitivos acima da cabeça
Quadro Clínico e Sintomas
Manifestações clínicas características da tendinopatia
Dor no Ombro
Dor profunda na região lateral do ombro, frequentemente noturna
Dor Noturna
Piora da dor durante a noite, especialmente ao deitar sobre o ombro afetado
Limitação de Movimento
Dificuldade na abdução e rotação, especialmente nos movimentos finais
Dor à Palpação
Sensibilidade dolorosa à palpação do tendão na região anterior do ombro
Fraqueza
Diminuição da força para abdução e elevação do braço
Crepitação
Estalos ou crepitação durante os movimentos do ombro
Sinais de Alerta: Procure atendimento médico imediato se apresentar dor intensa súbita, incapacidade funcional completa, sinais de infecção (febre, calor local) ou trauma recente significativo.
Evolução dos Sintomas
A tendinopatia do supraespinhal geralmente apresenta uma evolução crônica e progressiva. Os sintomas podem variar conforme o estágio da condição:
- Fase inicial: Dor leve após atividades, sem limitação funcional significativa
- Fase intermediária: Dor mais constante, início da limitação funcional
- Fase avançada: Dor intensa, limitação marcante, possível ruptura tendínea
Progressão
Evolução gradual dos sintomas
Diagnóstico
Avaliação clínica e exames complementares
Diagnóstico Clínico
O diagnóstico é baseado na história clínica detalhada e exame físico completo. Os principais elementos incluem:
- História clínica: Início gradual, dor relacionada a atividades, padrão doloroso característico
- Inspeção: Assimetria, atrofia muscular, alterações posturais
- Palpação: Dor específica no trajeto do tendão supraespinhal
- Testes especiais: Teste de Neer, Jobe, Hawkins-Kennedy
- Avaliação funcional: Amplitude de movimento e força muscular
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Testes Especiais
- Teste de Neer: Impacto subacromial com abdução forçada
- Teste de Jobe: Teste de abdução com rotação interna
- Teste de Hawkins-Kennedy: Impacto com flexão e rotação interna
- Teste do sinal do arco: Dor em arco de movimento específico
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Exames de Imagem
- Ultrassonografia: Avaliação dinâmica, baixo custo, boa sensibilidade
- Ressonância Magnética: Detalhamento de estruturas moles, avaliação de rupturas
- Radiografia: Excluir alterações ósseas, avaliar espaço subacromial
- Tomografia: Detalhamento ósseo, planejamento cirúrgico
Diagnóstico Diferencial
É importante diferenciar a tendinopatia do supraespinhal de outras condições como: capsulite adesiva, artrite glenoumeral, neuropatia do nervo supraescapular, distúrbios cervicais e patologias da articulação acromioclavicular.
Tratamento
Abordagem terapêutica conservadora e intervencionista
💊 Tratamento Conservador
- Repouso relativo e modificação de atividades
- Fisioterapia com exercícios específicos
- Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
- Analgésicos e relaxantes musculares
- Crioterapia e termoterapia
- Terapia manual e mobilização articular
💉 Tratamento Invasivo
- Infiltração com corticosteroides
- Infiltração com plasma rico em plaquetas (PRP)
- Ácido hialurônico
- Acupuntura e dry needling
- Ondas de choque extracorpóreas
- Terapia por laser de baixa intensidade
🏥 Tratamento Cirúrgico
- Descompressão subacromial artroscópica
- Acromioplastia
- Reparo tendíneo artroscópico
- Tenotomia do tendão bicipital
- Transferências tendíneas
- Prótese total do ombro (casos avançados)
Indicações Cirúrgicas
A cirurgia é indicada em casos de falha do tratamento conservador após 3-6 meses, rupturas completas em pacientes jovens e ativos, limitação funcional significativa e dor incapacitante.
Importante: O tratamento deve ser individualizado conforme a idade, nível de atividade, comorbidades e expectativas do paciente. A reabilitação adequada é fundamental para o sucesso de qualquer abordagem terapêutica.
Reabilitação e Prevenção
Programa de exercícios e estratégias preventivas
Fases da Reabilitação
Fase Aguda (0-2 semanas)
Controle da dor e inflamação, exercícios pendulares, mobilidade suave, crioterapia.
Fase Intermediária (2-6 semanas)
Início de exercícios ativos, fortalecimento isométrico, alongamentos, propriocepção.
Fase Avançada (6-12 semanas)
Fortalecimento progressivo, exercícios funcionais, treinamento esportivo específico.
Fase de Retorno (12+ semanas)
Retorno gradual às atividades, prevenção de recidivas, manutenção dos ganhos.
💪 Exercícios de Fortalecimento
Exercícios específicos para o manguito rotador, escápula e estabilizadores do ombro
🧘 Alongamento
Alongamentos suaves para capsula articular, musculatura periarticular e cadeia posterior
⚖️ Propriocepção
Exercícios de controle motor e estabilização dinâmica do complexo do ombro
🎯 Funcionais
Simulação de atividades diárias e esportivas para retorno seguro às funções
Prevenção de Recidivas
A prevenção inclui: aquecimento adequado antes de atividades, técnica correta em esportes, pausas durante atividades repetitivas, fortalecimento muscular contínuo, correção postural e ergonomia no trabalho.
Médico especialista em Dor e Fisiatria pela USP. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Professor e Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP.