Tendinopatia do Supraespinhal

dezembro 9, 2025
escrito por: Dr. Marcus Yu Bin Pai

Médico Fisiatra e Especialista em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP.

Tendinopatia do Supraespinhal – Diagnóstico e Tratamento

Tendinopatia do Supraespinhal

Guia completo sobre diagnóstico, tratamento e reabilitação da lesão mais comum do manguito rotador

O que é Tendinopatia do Supraespinhal

Uma das causas mais frequentes de dor no ombro em adultos

A tendinopatia do supraespinhal é uma condição degenerativa que afeta o tendão do músculo supraespinhal, um dos quatro tendões que compõem o manguito rotador. Esta condição representa uma das causas mais comuns de dor no ombro, especialmente em pacientes acima de 40 anos.

Caracteriza-se por dor na região lateral e anterior do ombro, que pode irradiar para o braço, e é frequentemente associada à limitação dos movimentos, especialmente da abdução e rotação. A condição pode variar desde tendinite aguda até degeneração crônica com possível ruptura tendínea.

Prevalência

A tendinopatia do supraespinhal afeta aproximadamente 7-34% da população adulta, sendo mais prevalente em mulheres e na faixa etária entre 40-60 anos.

💪

Manguito Rotador

Grupo de 4 músculos e tendões do ombro

🎯
Dor no Ombro

Dor na região lateral do ombro que piora com movimentos elevados e atividades acima da cabeça.

🔄
Limitação Funcional

Dificuldade para realizar atividades diárias como pentear cabelo, vestir-se ou carregar objetos.

Impacto na Qualidade de Vida

Afeta significativamente a capacidade laboral e atividades recreativas, podendo levar a depressão e ansiedade.

Anatomia do Supraespinhal

Estrutura anatômica e função do tendão mais afetado do manguito rotador

🦴

Anatomia do Ombro

O supraespinhal origina-se na fossa supraespinhal da escápula e insere-se no tubérculo maior do úmero

Estrutura e Função

O músculo supraespinhal é um dos quatro componentes do manguito rotador, juntamente com o infraespinhal, redondo menor e subescapular. Ele desempenha um papel fundamental na biomecânica do ombro:

  • Adução inicial: Inicia os primeiros 15-30° de abdução do ombro
  • Estabilização: Estabiliza a cabeça do úmero na cavidade glenoide
  • Centragem: Mantém o centro de rotação do ombro durante movimentos
  • Prevenção de impacto: Evita o choque entre tendões e estruturas ósseas
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Biomecânica

Movimentos complexos e coordenados

🦴 Origem

Fossa supraespinhal da escápula, coberta pelo músculo trapézio

💪 Inserção

Tubérculo maior do úmero, porção superior do manguito rotador

🩸 Vascularização

Área hipovascular (“zona crítica”) predisposta à degeneração

⚡ Inervação

Nervo supraescapular (C5-C6) responsável pela motricidade

Causas e Fatores de Risco

Mecanismos etiológicos e fatores predisponentes

🎯
Impacto Subacromial

Compressão do tendão no espaço subacromial durante movimentos de abdução, causando atrito e inflamação crônica.

Sobrecarga Repetitiva

Atividades que exigem movimentos repetitivos acima da cabeça, como em esportes (natação, tênis) e ocupações (pintores, eletricistas).

🦴
Alterações Degenerativas

Processo natural de envelhecimento do tendão, com perda de colágeno organizado e redução da vascularização.

Estágios da Degeneração Tendínea (Código de Codman)

1
Edema e Hemorragia

Fase aguda com inflamação, edema e possíveis micro-hemorragias no tendão.

2
Fibrose

Formação de tecido cicatricial e espessamento do tendão como resposta à lesão inicial.

3
Degeneração e Ruptura

Degeneração avançada com possível ruptura parcial ou completa das fibras tendíneas.

👵 Idade

Envelhecimento natural dos tecidos tendíneos e redução da capacidade regenerativa

🧬 Genética

Predisposição genética para alterações no colágeno e tecido conectivo

🩸 Metabólicos

Diabetes, tabagismo e dislipidemias que afetam a qualidade tecidual

🏋️ Atividade

Esportes e ocupações com movimentos repetitivos acima da cabeça

Quadro Clínico e Sintomas

Manifestações clínicas características da tendinopatia

💪
Dor no Ombro

Dor profunda na região lateral do ombro, frequentemente noturna

🔥
Dor Noturna

Piora da dor durante a noite, especialmente ao deitar sobre o ombro afetado

🔄
Limitação de Movimento

Dificuldade na abdução e rotação, especialmente nos movimentos finais

Dor à Palpação

Sensibilidade dolorosa à palpação do tendão na região anterior do ombro

🤚
Fraqueza

Diminuição da força para abdução e elevação do braço

🔊
Crepitação

Estalos ou crepitação durante os movimentos do ombro

⚠️

Sinais de Alerta: Procure atendimento médico imediato se apresentar dor intensa súbita, incapacidade funcional completa, sinais de infecção (febre, calor local) ou trauma recente significativo.

Evolução dos Sintomas

A tendinopatia do supraespinhal geralmente apresenta uma evolução crônica e progressiva. Os sintomas podem variar conforme o estágio da condição:

  • Fase inicial: Dor leve após atividades, sem limitação funcional significativa
  • Fase intermediária: Dor mais constante, início da limitação funcional
  • Fase avançada: Dor intensa, limitação marcante, possível ruptura tendínea
📈

Progressão

Evolução gradual dos sintomas

Diagnóstico

Avaliação clínica e exames complementares

Diagnóstico Clínico

O diagnóstico é baseado na história clínica detalhada e exame físico completo. Os principais elementos incluem:

  1. História clínica: Início gradual, dor relacionada a atividades, padrão doloroso característico
  2. Inspeção: Assimetria, atrofia muscular, alterações posturais
  3. Palpação: Dor específica no trajeto do tendão supraespinhal
  4. Testes especiais: Teste de Neer, Jobe, Hawkins-Kennedy
  5. Avaliação funcional: Amplitude de movimento e força muscular

🔍
Testes Especiais

  • Teste de Neer: Impacto subacromial com abdução forçada
  • Teste de Jobe: Teste de abdução com rotação interna
  • Teste de Hawkins-Kennedy: Impacto com flexão e rotação interna
  • Teste do sinal do arco: Dor em arco de movimento específico

📸
Exames de Imagem

  • Ultrassonografia: Avaliação dinâmica, baixo custo, boa sensibilidade
  • Ressonância Magnética: Detalhamento de estruturas moles, avaliação de rupturas
  • Radiografia: Excluir alterações ósseas, avaliar espaço subacromial
  • Tomografia: Detalhamento ósseo, planejamento cirúrgico

Diagnóstico Diferencial

É importante diferenciar a tendinopatia do supraespinhal de outras condições como: capsulite adesiva, artrite glenoumeral, neuropatia do nervo supraescapular, distúrbios cervicais e patologias da articulação acromioclavicular.

Tratamento

Abordagem terapêutica conservadora e intervencionista

💊 Tratamento Conservador

  • Repouso relativo e modificação de atividades
  • Fisioterapia com exercícios específicos
  • Anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)
  • Analgésicos e relaxantes musculares
  • Crioterapia e termoterapia
  • Terapia manual e mobilização articular

💉 Tratamento Invasivo

  • Infiltração com corticosteroides
  • Infiltração com plasma rico em plaquetas (PRP)
  • Ácido hialurônico
  • Acupuntura e dry needling
  • Ondas de choque extracorpóreas
  • Terapia por laser de baixa intensidade

🏥 Tratamento Cirúrgico

  • Descompressão subacromial artroscópica
  • Acromioplastia
  • Reparo tendíneo artroscópico
  • Tenotomia do tendão bicipital
  • Transferências tendíneas
  • Prótese total do ombro (casos avançados)

Indicações Cirúrgicas

A cirurgia é indicada em casos de falha do tratamento conservador após 3-6 meses, rupturas completas em pacientes jovens e ativos, limitação funcional significativa e dor incapacitante.

⚠️

Importante: O tratamento deve ser individualizado conforme a idade, nível de atividade, comorbidades e expectativas do paciente. A reabilitação adequada é fundamental para o sucesso de qualquer abordagem terapêutica.

Reabilitação e Prevenção

Programa de exercícios e estratégias preventivas

Fases da Reabilitação

1
Fase Aguda (0-2 semanas)

Controle da dor e inflamação, exercícios pendulares, mobilidade suave, crioterapia.

2
Fase Intermediária (2-6 semanas)

Início de exercícios ativos, fortalecimento isométrico, alongamentos, propriocepção.

3
Fase Avançada (6-12 semanas)

Fortalecimento progressivo, exercícios funcionais, treinamento esportivo específico.

4
Fase de Retorno (12+ semanas)

Retorno gradual às atividades, prevenção de recidivas, manutenção dos ganhos.

💪 Exercícios de Fortalecimento

Exercícios específicos para o manguito rotador, escápula e estabilizadores do ombro

🧘 Alongamento

Alongamentos suaves para capsula articular, musculatura periarticular e cadeia posterior

⚖️ Propriocepção

Exercícios de controle motor e estabilização dinâmica do complexo do ombro

🎯 Funcionais

Simulação de atividades diárias e esportivas para retorno seguro às funções

Prevenção de Recidivas

A prevenção inclui: aquecimento adequado antes de atividades, técnica correta em esportes, pausas durante atividades repetitivas, fortalecimento muscular contínuo, correção postural e ergonomia no trabalho.

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Médico especialista em Dor e Fisiatria pela USP. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Professor e Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP.