Médico Especialista Fisiatra em Dor: O Que Faz e Quando Procurar

novembro 18, 2025
escrito por: Dr. Marcus Yu Bin Pai

Médico Fisiatra e Especialista em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP.

A dor crônica não é apenas um sintoma; é uma doença complexa que afeta o sistema nervoso, a funcionalidade física e a saúde emocional. O Médico Fisiatra com atuação em Medicina da Dor é o especialista qualificado para decifrar e tratar essa condição. Enquanto muitas especialidades buscam curar uma lesão anatômica visível (como um osso quebrado), o fisiatra especialista em dor foca no restabelecimento do sistema de processamento da dor e na devolução da qualidade de vida ao paciente.

A abordagem deste profissional é diferenciada por ser intervencionista e reabilitadora. Ele não apenas prescreve medicamentos, mas utiliza tecnologias avançadas e procedimentos minimamente invasivos para bloquear a dor na fonte, permitindo que o paciente retome suas atividades diárias sem depender exclusivamente de fármacos ou cirurgias agressivas.

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Diagnóstico Funcional

Identificação não só da lesão, mas de como ela altera o movimento e gera dor.

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Intervenção Guiada

Procedimentos precisos guiados por ultrassom para alívio rápido.

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Farmacologia Avançada

Uso racional de medicamentos para modular o sistema nervoso.

Não é Tudo Igual: Os Tipos de Dor que o Fisiatra Trata

Para tratar a dor com eficácia, é fundamental classificá-la corretamente. O tratamento para uma dor causada por inflamação é completamente diferente do tratamento para uma dor causada por falha nos nervos. O médico fisiatra realiza uma investigação minuciosa para categorizar a dor do paciente em três grandes grupos:

1. Dor Nociceptiva

Causa: Dano real ao tecido (músculo, osso, ligamento).

Exemplo: Artrose, pancadas, fraturas, tendinites.

Sensação: Pontada, peso, pulsante.

2. Dor Neuropática

Causa: Lesão ou disfunção no sistema nervoso.

Exemplo: Ciática, neuropatia diabética, pós-herpes, túnel do carpo.

Sensação: Choque, queimação, formigamento.

3. Dor Nociplástica

Causa: Alteração na percepção da dor pelo cérebro (sem lesão visível).

Exemplo: Fibromialgia, cefaleia tensional crônica.

Sensação: Dor difusa, cansada, migratória.

Identificar o tipo predominante é o “segredo” para o sucesso terapêutico. Muitas falhas de tratamento ocorrem porque o paciente recebe anti-inflamatório (para dor nociceptiva) quando, na verdade, sofre de dor neuropática, que exige moduladores neurais.

O Arsenal Terapêutico do Fisiatra em Dor

A especialização em dor confere ao fisiatra o domínio de técnicas avançadas que preenchem a lacuna entre “tomar remédio” e “fazer cirurgia”. O foco é sempre a invasividade mínima com a máxima eficácia funcional.

Intervencionismo Guiado por Ultrassom

No consultório moderno de dor, o ultrassom é como o estetoscópio do fisiatra. Ele permite visualizar nervos, fáscias e articulações em tempo real. Com isso, o médico pode realizar hidrodissecção de nervos (soltar um nervo “preso” usando líquido) ou infiltrar medicamentos com precisão milimétrica, evitando vasos sanguíneos e órgãos vitais. Isso aumenta drasticamente a segurança e a eficácia dos bloqueios anestésicos.

Radiofrequência (Rizotomia)

Para dores de coluna que não respondem a tratamentos convencionais, a radiofrequência é uma das ferramentas mais poderosas. Trata-se de um procedimento onde agulhas especiais são posicionadas próximas aos nervos sensoriais da coluna (que transmitem a dor das facetas articulares). Uma corrente elétrica gera calor na ponta da agulha, desativando a capacidade desse nervo de transmitir dor. O alívio pode durar meses ou até anos, sem a necessidade de cortes, parafusos ou internação prolongada.

Medicina Regenerativa e Ondas de Choque

Em casos de tendinites crônicas, rupturas parciais e artrose, o objetivo não é apenas tirar a dor, mas estimular o corpo a curar o tecido. A Terapia por Ondas de Choque utiliza física acústica para revascularizar tecidos mortos ou fibrosados. Em paralelo, técnicas de proloterapia (injeção de dextrose) estimulam a produção de colágeno, fortalecendo ligamentos frouxos que causam instabilidade e dor crônica.

Tabela 1: Opções Terapêuticas Intervencionistas e Indicações
Técnica Médica Como Funciona Melhor Indicação
Bloqueio de Nervo Periférico “Desliga” temporariamente o sinal de dor do nervo. Neurites, Pós-operatório, Ciatalgia aguda.
Radiofrequência (Rizotomia) Cauterização térmica seletiva do nervo sensitivo. Dor lombar e cervical crônica (origem facetária).
Toxina Botulínica Relaxamento muscular potente e bloqueio da dor. Enxaqueca crônica, Espasticidade, Dor Miofascial.
Viscossuplementação Lubrificação intra-articular (gel). Artrose de Joelho, Quadril e Tornozelo.

Investigação Diagnóstica Diferenciada

O médico fisiatra especialista em dor não se baseia apenas em ressonâncias magnéticas. É comum pacientes terem “hérnias de disco” na imagem que não são a causa da dor, e vice-versa. A investigação envolve:

  • Exame Físico Minucioso: Testes de provocação de dor, avaliação de força, sensibilidade e reflexos.
  • Termografia Infravermelha: Exame de imagem que capta o calor do corpo, ajudando a visualizar inflamações ou alterações circulatórias ligadas à dor neuropática (como na Síndrome Dolorosa Regional Complexa).
  • Bloqueios Diagnósticos: Quando há dúvida sobre a origem da dor, o médico anestesia apenas uma estrutura específica. Se a dor sumir, a fonte foi identificada com certeza.

Dica do Especialista

Cuidado com a automedicação: O uso contínuo de anti-inflamatórios pode causar problemas renais e gástricos sem tratar a raiz da dor crônica. Se a dor persiste por mais de 3 meses, o medicamento de escolha geralmente muda para antidepressivos duais ou anticonvulsivantes, que tratam a “memória da dor” no nervo, e não a inflamação. Apenas um médico especialista deve manejar essa transição.

Sinais de Alerta e Momento de Procurar Ajuda

Muitas pessoas normalizam a convivência com a dor, acreditando ser “coisa da idade”. Isso é um erro que pode levar à incapacidade física. Existem sinais claros de que a dor deixou de ser um mecanismo de defesa e se tornou patológica.

Tabela 2: Quando Agendar uma Consulta Urgentemente vs. Eletivamente
Sinais de Alerta (Red Flags) – Urgência Relativa Sinais de Cronicidade – Necessitam Tratamento
Dor acompanhada de febre ou perda de peso inexplicada. Dor que dura mais de 3 a 6 meses.
Perda súbita de força em braços ou pernas. Você deixou de fazer atividades que gosta por medo da dor.
Histórico de câncer ou trauma recente. O sono é prejudicado pela dor várias vezes na semana.
Incontinência urinária ou fecal associada a dor nas costas. Uso diário de analgésicos sem melhora efetiva.

Checklist: Preparo para a Primeira Consulta

Para que o fisiatra faça o melhor diagnóstico, prepare-se:

  • 1 Leve todos os exames de imagem (Ressonância, RX) realizados no último ano (imagens e laudos).
  • 2 Faça uma lista escrita de todos os medicamentos em uso e suas dosagens.
  • 3 Tente lembrar o “gatilho” inicial da dor: foi um trauma? Começou gradualmente?
  • 4 Observe o que melhora e o que piora a dor (ex: “dói mais sentado”, “melhora com calor”).

O Caminho da Recuperação

Fase 1: Controle Sintomático

Procedimentos de bloqueio, ajuste de medicação e repouso relativo. O foco é dormir bem e reduzir a intensidade da dor.

Fase 2: Reativação Funcional

Início de fisioterapia motora, correção de postura e movimento, terapias regenerativas (ondas de choque).

Fase 3: Manutenção e Prevenção

Fortalecimento muscular consolidado, desmame de medicações fortes, retorno total às atividades.

Perguntas Frequentes sobre o Fisiatra e a Dor

O fisiatra trata câncer?

O fisiatra não trata o tumor (papel do oncologista), mas é fundamental no tratamento da Dor Oncológica. Ele atua no controle da dor causada pelo câncer ou pelos efeitos colaterais da quimioterapia (como neuropatias), melhorando a qualidade de vida do paciente durante o tratamento.

Qual a diferença entre Clínica da Dor e Fisiatria?

A Fisiatria é a especialidade médica. A “Clínica da Dor” é um conceito de serviço que pode ser liderado por um fisiatra, anestesista ou neurologista especializados em dor. O diferencial do fisiatra na clínica da dor é o foco na reabilitação física simultânea ao alívio da dor.

A radiofrequência é uma cirurgia?

Não, é considerado um procedimento percutâneo minimamente invasivo. É feito com sedação leve e anestesia local, sem cortes de bisturi. O paciente geralmente vai para casa no mesmo dia, poucas horas após o procedimento.

O tratamento com fisiatra substitui a fisioterapia?

Não. Eles são complementares. O fisiatra (médico) faz o diagnóstico, prescreve remédios e faz procedimentos invasivos que permitem ao paciente suportar e aproveitar melhor a fisioterapia. Sem a dor aguda, a fisioterapia se torna muito mais eficiente.

O que é Síndrome Dolorosa Regional Complexa?

É uma condição de dor crônica severa, geralmente afetando um braço ou perna após lesão, cirurgia ou AVC. A dor é desproporcional ao evento inicial. O fisiatra é um dos principais especialistas para tratar isso, usando bloqueios simpáticos e reabilitação intensiva.

Posso ir ao fisiatra para dor de cabeça?

Sim. Muitos casos de cefaleia têm origem cervicogênica (pescoço) ou tensional. O fisiatra trata a musculatura do pescoço e ombros, pontos-gatilho e nervos occipitais que frequentemente desencadeiam enxaquecas.

Os bloqueios têm corticoide?

Frequentemente sim, pois o corticoide é um potente anti-inflamatório. Porém, o fisiatra utiliza doses baixas e localizadas, o que reduz muito os efeitos colaterais sistêmicos (como ganho de peso) comparado a tomar corticoides por via oral.

O que é Cannabidiol (CBD) na medicina da dor?

O uso medicinal de derivados de Cannabis é uma ferramenta terapêutica regulamentada que pode ser prescrita pelo fisiatra para casos específicos de dor crônica refratária, espasticidade e dor neuropática, sempre seguindo protocolos rigorosos.

Fisiatra trata fibromialgia?

A fibromialgia é o protótipo da dor nociplástica e é amplamente tratada pelo fisiatra. A abordagem envolve educação sobre dor, exercícios aeróbicos graduais e medicamentos que regulam os neurotransmissores da dor no cérebro.

Quanto tempo demora para os bloqueios fazerem efeito?

O efeito do anestésico é imediato (horas). O efeito anti-inflamatório do corticoide ou regenerativo começa a ser sentido com mais força após 3 a 5 dias do procedimento.

Existe risco nos procedimentos?

Todo procedimento médico tem risco, mas na Fisiatria Intervencionista os riscos são muito baixos, principalmente devido ao uso de ultrassom para guiar as agulhas, evitando estruturas nobres e garantindo que a medicação vá para o lugar certo.

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Médico especialista em Dor e Fisiatria pela USP. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Professor e Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP.