Infiltração de ponto-gatilho para dor dorsal

novembro 18, 2025
escrito por: Dr. Marcus Yu Bin Pai

Médico Fisiatra e Especialista em Dor pela AMB. Doutorado em Ciências pela USP.

Infiltração de ponto-gatilho é um procedimento em que o médico injeta medicamento diretamente em nódulos musculares dolorosos chamados pontos-gatilho. Este método é usado em dores nas costas (região dorsal) quando a dor persiste e parece originar-se de tensão muscular ou dor miofascial. A injeção geralmente inclui um anestésico local (como lidocaína) e, às vezes, um corticosteroide, visando relaxar o músculo irritado. O alívio da dor pode ser imediato ou ocorrer nos dias seguintes, ajudando o paciente a recuperar a mobilidade.

O procedimento é feito com o paciente em posição confortável, após higiene adequada da pele. Com o músculo identificado, o médico insere uma agulha fina no ponto dolorido e aplica o anestésico. Em seguida, pressiona-se levemente o local. Em geral, o desconforto do procedimento é breve e a maioria dos pacientes sente uma melhora significativa da tensão muscular.

Considere este tratamento se:
  • Você tem dor nas costas crônica, especialmente na região superior ou média.
  • Há pontos dolorosos (nódulos) palpáveis nos músculos das costas.
  • Outros tratamentos como fisioterapia e medicamentos não foram suficientes.

Como é realizado

O médico localiza o ponto-gatilho doloroso por palpação e desinfeta a pele sobre ele. Em seguida, introduz uma agulha fina na região do músculo afetado. Injeta-se, então, um anestésico local (por exemplo, lidocaína 1%) e possivelmente um corticosteróide em pequena dose. A injeção relaxa o músculo e alivia a dor no local. O procedimento leva apenas alguns minutos, por ponto tratado, e costuma ser bem tolerado pelo paciente.

Passo a passo do procedimento:
  1. Identificar o ponto-gatilho por palpação.
  2. Higienizar a pele no local.
  3. Inserir agulha fina e injetar o anestésico (com ou sem corticosteróide).
  4. Aguardar alguns segundos e retirar a agulha.
  5. Pressionar levemente o local para dispersar o medicamento.
  6. Orientar repouso leve da região por algumas horas.

Indicações

A infiltração de ponto-gatilho é indicada principalmente para dores nas costas de origem muscular, chamadas de síndrome da dor miofascial. Normalmente é considerada quando a dor é persistente (crônica) e foi identificado pelo exame físico um ou mais pontos doloridos ao toque. Geralmente recomenda-se após outras terapias menos invasivas (como fisioterapia, exercícios de alongamento e analgésicos orais) não apresentarem alívio suficiente.

Ela pode beneficiar pessoas que sentem dor localizada ou irradiada devido à tensão dos músculos dorsais. Não se usa infiltração em todo tipo de dor nas costas: se houver suspeita de problema grave (como hérnia de disco ou doença vertebral), o foco será outro tratamento. A infiltração é um recurso para dor muscular teimosa.

Sintomas e condutas sugeridas:
Sintomas comuns e condutas recomendadas
Sintoma / Situação Conduta Recomendada
Dor nas costas de origem muscular (sem causa séria)Exercícios, alongamento, fisioterapia e analgésicos; se persistir, considerar infiltração.
Músculo dorsal rígido com nódulo dolorosoMassagem terapêutica e agulhamento (se necessário, infiltração de ponto-gatilho).
Dores nas costas que atrapalham rotina diáriaAvaliação médica para terapias adicionais; infiltração pode ser opção.

Benefícios e evidências

A infiltração de ponto-gatilho costuma proporcionar alívio rápido e local da dor. Após a aplicação, muitos pacientes relatam diminuição imediata da tensão muscular e melhora da mobilidade. Em dias seguintes, o desconforto residual costuma continuar diminuindo. Esse alívio permite retomar atividades diárias com menos dor.

70%
dos pacientes relatam melhora significativa
após infiltração de ponto-gatilho
~10 min
tempo aproximado do procedimento
por ponto dolorido

Progresso típico de alívio da dor nas primeiras semanas

Para muitos pacientes, uma única sessão traz alívio duradouro por meses. Se necessário, podem ser feitas injeções adicionais após avaliação médica. O resultado costuma ser reduzir a necessidade de remédios orais e melhorar a qualidade de vida. Estudos sobre síndrome miofascial mostram que a infiltração de anestésico em pontos-gatilho tem eficácia semelhante ao agulhamento seco, com vantagem de ser menos desconfortável na hora do procedimento.

Opções de tratamento para dor dorsal:
Opções de tratamento para dor dorsal
TratamentoDescrição / Indicação
Fisioterapia e exercíciosPrimeira escolha: alongamentos e fortalecimento melhoram a postura e aliviam a tensão.
Analgésicos oraisParacetamol e anti-inflamatórios podem controlar a dor; usados em conjunto com terapia física.
Agulhamento secoAgulha inserida no ponto dolorido sem injeção. Pode aliviar sem medicamentos.
Infiltração de ponto-gatilhoInjeção de anestésico local para alívio mais rápido quando dor muscular é intensa.
Massagem terapêuticaRelaxamento muscular manual; útil para dores leves e manutenção.

Riscos e efeitos colaterais

A infiltração de ponto-gatilho é geralmente segura. Os efeitos adversos mais comuns são leves: dor passageira no local da injeção, pequeno hematoma (mancha roxa) e sensibilidade por até um dia. Esses desconfortos desaparecem sozinhos. A infecção no local é rara quando se segue assepsia adequada. Raramente pode ocorrer reação alérgica ao anestésico, mas o médico verifica alergias prévias antes de aplicar a injeção.

Em casos muito incomuns, o medicamento pode causar fraqueza muscular temporária ou formigamento se atingir nervo próximo. Pacientes com distúrbios de coagulação ou usando anticoagulantes devem informar o médico antes, pois há risco aumentado de hematoma. A técnica realizada corretamente minimiza esses riscos.

Dica do especialista: A infiltração pode trazer alívio imediato, mas para prolongar os resultados é importante continuar com fisioterapia e exercícios prescritos. A combinação de tratamentos maximiza o efeito e ajuda a prevenir novas crises de dor.
Cuidados pós-procedimento:
  • Descansar a região injetada por algumas horas.
  • Aplicar gelo local para reduzir inchaço ou dor.
  • Evitar esforços ou exercícios intensos nas próximas 24 horas.
  • Contato médico imediato se surgir febre, inchaço intenso ou piora súbita da dor.
Sinais de alerta após a infiltração:
Sinais de alerta nas costas e quando procurar ajuda
Sintoma / SinalQuando procurar atendimento
Febre alta, suores noturnos, perda de peso inexplicadaProcure atendimento médico imediato para investigar causas infecciosas ou inflamatórias.
Dormência, fraqueza ou formigamento nas pernasDirija-se ao pronto-socorro imediatamente, pois pode indicar compressão nervosa grave.
Vermelhidão intensa, inchaço ou calor no local da injeçãoInforme o médico imediatamente; pode ser sinal de infecção no local.
Dor que piora progressivamente mesmo após a infiltraçãoRetorne ao médico para reavaliação e definir tratamento alternativo se necessário.

Perguntas frequentes

  • 1. A infiltração dói muito?

    O desconforto do procedimento é breve e geralmente tolerável. Logo após a injeção, o anestésico local reduz a dor rapidamente. Muitos pacientes relatam melhora imediata da dor, embora sintam uma picada breve no momento da aplicação.

  • 2. Quantas sessões são necessárias?

    Uma sessão pode trazer alívio duradouro por vários meses. Caso a dor retorne, o médico pode recomendar reforços após semanas ou meses. O número de sessões varia de pessoa para pessoa conforme a resposta ao tratamento.

  • 3. Qual a diferença entre agulhamento seco e infiltração?

    No agulhamento seco, apenas uma agulha é inserida no ponto-gatilho, sem injeção de remédio. Na infiltração, aplica-se um anestésico no ponto dolorido. Ambos visam relaxar o músculo, mas a infiltração tende a aliviar a dor de forma mais rápida e potente.

  • 4. Todo médico faz esse procedimento?

    Médicos como ortopedistas, anestesiologistas, fisiatras ou reumatologistas podem realizá-lo. O mais importante é que o profissional seja treinado e experiente nessa técnica. Idealmente, procure um especialista em dor ou músculo-esquelético.

  • 5. Após a infiltração posso dirigir?

    Sim. Como o anestésico é local, não afeta a capacidade de alerta. Você pode retomar normalmente as atividades, incluindo dirigir, desde que se sinta confortável. Caso ainda esteja sensível, peça auxílio para evitar desconforto ao volante.

  • 6. Posso tomar remédios depois da infiltração?

    Em geral sim, desde que liberados pelo médico. Analgésicos leves podem ser usados se ainda houver desconforto residual. Muitas vezes, a infiltração já diminui muito a dor, reduzindo a necessidade de outros remédios.

  • 7. Quanto tempo dura o efeito da infiltração?

    Muitos pacientes sentem melhora por meses após a aplicação, mas isso varia de pessoa para pessoa. Caso a dor retorne, é possível repetir o procedimento. Converse com o médico para avaliar se outras sessões ou terapias complementares são indicadas.

  • 8. São necessários exames antes do procedimento?

    Na maioria dos casos, não. O diagnóstico é clínico, baseado no exame físico. Em situações atípicas, exames de imagem (como ultrassom ou ressonância) podem ser solicitados para descartar outras causas de dor, mas não são obrigatórios para a infiltração em si.

  • 9. Quem não deve fazer infiltração?

    Pessoas com infecção no local da injeção, alergia conhecida a anestésicos locais ou problemas graves de coagulação devem evitar a infiltração. Sempre informe seu médico sobre doenças, uso de medicamentos e gravidez. O profissional avaliará a segurança do procedimento para o seu caso.

  • 10. Esse tratamento é para todo tipo de dor nas costas?

    Não. A infiltração de ponto-gatilho serve principalmente para dores de origem muscular (síndrome da dor miofascial). Se a dor for causada por problemas na coluna (como hérnia de disco ou osteoporose), o tratamento principal será direcionado a essas condições. A infiltração complementa o tratamento muscular, mas não substitui terapias específicas da coluna.

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Médico especialista em Dor e Fisiatria pela USP. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Professor e Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP.