O Que é a Espondilose Dorsal?
A espondilose dorsal, frequentemente referida como osteoartrose da coluna torácica, é uma condição degenerativa crônica que afeta as vértebras, discos intervertebrais e ligamentos da região média das costas (coluna torácica). Embora seja menos comum que a espondilose cervical (pescoço) ou lombar (parte inferior das costas) devido à rigidez natural da caixa torácica, ela representa uma causa significativa de dor nas costas em adultos acima de 50 anos.
O processo patológico envolve o desgaste progressivo da cartilagem que protege as articulações facetárias e a desidratação dos discos intervertebrais. Como resposta do organismo para estabilizar a coluna, ocorre a formação de osteófitos, popularmente conhecidos como “bicos de papagaio”. Quando essas alterações estruturais comprimem as raízes nervosas ou a medula espinhal, surgem sintomas neurológicos e dor mecânica significativa.
Estudos radiológicos indicam que sinais de espondilose estão presentes em mais de 80% das pessoas acima de 60 anos, embora nem todas manifestem dor.
Envolve as 12 vértebras (T1 a T12) que se conectam às costelas, sendo uma área de menor mobilidade, mas vital para a estabilidade do tronco.
Causas e Fatores de Risco
A etiologia da espondilose dorsal é multifatorial. O envelhecimento é o fator primário, resultando em alterações bioquímicas no colágeno dos discos. No entanto, o estilo de vida moderno acelerou o aparecimento dessa condição em populações mais jovens.
Fatores biomecânicos desempenham um papel crucial. A hipercifose (aumento da curvatura das costas, ou “corcunda”) aumenta a pressão na parte anterior das vértebras torácicas, acelerando a degeneração. Além disso, traumas prévios, microtraumas de repetição e predisposição genética são determinantes.
Principais Aceleradores da Degeneração
Sintomas Clínicos Detalhados
Os sintomas da espondilose dorsal podem variar de um leve desconforto matinal a dores incapacitantes. Diferentemente da dor lombar, a dor torácica pode irradiar para a frente do corpo, seguindo o trajeto das costelas, o que frequentemente confunde pacientes e leva à suspeita de problemas cardíacos ou pulmonares.
Dor Axial (Mecânica)
É o sintoma mais comum. Localiza-se na linha média das costas e piora com a movimentação, torção do tronco ou permanência prolongada na mesma posição. Geralmente alivia com o repouso. A rigidez matinal que dura menos de 30 minutos é um sinal clássico de artrose facetária.
Dor Radicular e Neuralgia Intercostal
Quando um osteófito comprime uma raiz nervosa torácica, o paciente pode experimentar uma dor em “cinturão” que envolve o tórax. Essa dor pode ser lancinante, tipo choque ou queimação. Em casos mais graves, pode haver dormência ou parestesia na região abdominal ou peitoral.
| Tipo de Sintoma | Características Principais | Fatores de Piora |
|---|---|---|
| Dor Facetária (Articular) | Dor localizada, profunda, pontual nas costas. Não irradia para longe. | Extensão da coluna (inclinar para trás) e rotação. |
| Dor Discogênica | Dor central, constante, sensação de cansaço ou peso. | Flexão (inclinar para frente), sentar por muito tempo. |
| Radiculopatia | Dor em faixa/cinturão ao redor das costelas. Choque ou queimação. | Tosse, espirro, esforço evacuatório (Manobra de Valsalva). |
| Mielopatia (Raro na Torácica) | Fraqueza nas pernas, desequilíbrio, alteração esfincteriana. | Progressiva com o tempo, requer atenção urgente. |
Diagnóstico Médico e Imagem
O diagnóstico é realizado por médico ortopedista, reumatologista ou neurocirurgião. O exame físico busca identificar pontos gatilho, limitações de movimento e sinais neurológicos (reflexos e sensibilidade). A confirmação, no entanto, depende de exames de imagem.
A radiografia simples (Raio-X) é o exame inicial de escolha, sendo suficiente para visualizar a diminuição do espaço entre as vértebras e a presença de osteófitos. A Ressonância Magnética (RM) é reservada para casos onde há suspeita de compressão nervosa, hérnia de disco ou para excluir tumores e infecções.
Tratamento Não Cirúrgico: O Padrão Ouro
A imensa maioria dos casos de espondilose dorsal responde bem ao tratamento conservador. A cirurgia é raramente indicada, exceto em casos de mielopatia (compressão da medula) ou instabilidade grave. O objetivo do tratamento é o alívio da dor e a restauração da função.
Os 3 Pilares do Tratamento Conservador
Controle da inflamação aguda e modulação da dor crônica.
Fortalecimento dos paravertebrais e correção da hipercifose.
Bloqueios e infiltrações para casos refratários.
Opções Farmacológicas Detalhadas
O manejo medicamentoso deve ser escalonado e supervisionado por médico:
- Analgésicos Simples e AINEs: Paracetamol ou Dipirona para dor leve. Anti-inflamatórios não esteroides (como Ibuprofeno ou Celecoxibe) são usados em ciclos curtos (7-10 dias) para crises agudas, visando reduzir a inflamação facetária.
- Relaxantes Musculares: Úteis quando há contratura muscular associada (“nós” nas costas). Ciclobenzaprina e Tizanidina são comuns, mas podem causar sonolência.
- Moduladores da Dor (Gabapentinoides): Se houver dor radicular (queimação nas costelas), medicamentos como Pregabalina ou Gabapentina podem ser prescritos para estabilizar a membrana nervosa.
- Antidepressivos Tricíclicos: Em doses baixas (ex: Amitriptilina), ajudam no controle da dor crônica e melhoram a qualidade do sono.
Procedimentos Minimamente Invasivos
Quando a medicação e a fisioterapia não surtem efeito após 6 semanas, o médico pode sugerir procedimentos percutâneos (sem cortes):
- Bloqueio de Ramo Medial: Uma injeção diagnóstica e terapêutica de anestésico e corticoide nas pequenas articulações da coluna.
- Radiofrequência (Rizotomia): Uso de ondas de calor para cauterizar os nervos sensoriais das articulações facetárias, proporcionando alívio duradouro (6 meses a 1 ano).
| Modalidade | Indicação Principal | Expectativa de Resultado |
|---|---|---|
| Fisioterapia Motora | Todos os pacientes (fase crônica e manutenção). | Melhora a postura e reduz recorrência de crises. |
| Infiltração com Corticoide | Dor aguda intensa que impede a reabilitação. | Alívio rápido (dias), efeito temporário (semanas/meses). |
| Acupuntura | Dor miofascial e tensão muscular associada. | Auxiliar no controle da dor sem efeitos colaterais químicos. |
| Cirurgia (Descompressão/Fusão) | Déficit neurológico progressivo ou instabilidade. | Estabilização definitiva (último recurso). |
Sinais de Alerta (Red Flags)
Embora a dor nas costas seja comum, certos sinais exigem avaliação médica imediata para descartar condições graves como fraturas, infecções ou tumores.
⚠️ Atenção Imediata Necessária
- Perda de força nas pernas: Dificuldade para caminhar ou sensação de pernas pesadas.
- Incontinência: Perda de controle da bexiga ou intestino.
- Histórico de Câncer: Dor torácica nova em pacientes com histórico oncológico.
- Febre associada: Pode indicar infecção na coluna (espondilodiscite).
- Trauma recente: Quedas ou acidentes, especialmente em idosos (risco de fratura).
Prevenção e Mudanças de Estilo de Vida
A gestão a longo prazo da espondilose dorsal depende menos de remédios e mais de hábitos. A ergonomia no trabalho é fundamental, especialmente ajustar a altura do monitor para evitar a flexão do pescoço e a cifose torácica.
Caminhadas de 30 min melhoram a hidratação discal.
Cada kg extra no abdômen aumenta a carga anterior na coluna.
Levantar a cada 45 minutos de trabalho sentado.
A nicotina constringe vasos sanguíneos, reduzindo nutrientes para os discos.
Perguntas Frequentes (FAQ)
A espondilose dorsal tem cura?
A espondilose é uma condição degenerativa crônica e não tem “cura” no sentido de reverter o desgaste ósseo. No entanto, os sintomas podem ser completamente controlados e o paciente pode viver sem dor com tratamento adequado.
Posso fazer musculação com espondilose?
Sim e deve. O fortalecimento muscular é essencial para proteger a coluna. No entanto, evite exercícios com carga vertical direta sobre a coluna (como agachamento com barra nas costas) durante as crises de dor e sempre tenha supervisão profissional.
Qual o melhor colchão para quem tem esse problema?
Geralmente, colchões de densidade intermediária a firme são os mais indicados. Colchões muito moles não oferecem suporte adequado para a curvatura torácica, enquanto os excessivamente duros podem aumentar a pressão nas articulações doloridas.
A dor da espondilose dorsal afeta o coração?
Não afeta o coração diretamente, mas pode simular dor cardíaca. Dores que irradiam para o peito devido à compressão de nervos torácicos podem ser confundidas com angina. Sempre procure um cardiologista para descartar problemas cardíacos primeiro.
O que são os “bicos de papagaio”?
São osteófitos, formações ósseas que o corpo cria na tentativa de estabilizar uma articulação desgastada. Eles aumentam a superfície de contato da vértebra, mas podem acabar comprimindo nervos vizinhos.
Aplico gelo ou água quente?
Na espondilose crônica, a compressa quente é geralmente melhor, pois relaxa a musculatura tensa e melhora a circulação local. O gelo é reservado para inflamações muito agudas ou logo após um trauma.
Pilates é bom para espondilose dorsal?
Excelente. O Pilates foca no fortalecimento do “core” (musculatura abdominal e lombar) e na mobilidade da coluna, sendo uma das atividades mais recomendadas pelos médicos para manutenção a longo prazo.
Quanto tempo demora para a crise passar?
Uma crise aguda bem tratada com medicação e repouso relativo costuma melhorar significativamente em 1 a 2 semanas. A dor residual leve pode persistir por mais tempo até que o fortalecimento muscular faça efeito.
O uso de colete ajuda?
Coletes posturais podem oferecer alívio temporário, mas não devem ser usados por longos períodos, pois podem causar atrofia (enfraquecimento) da musculatura da coluna, tornando-a dependente do suporte externo.
Vitamina D ajuda na espondilose?
A Vitamina D é crucial para a saúde óssea geral e prevenção de osteoporose, mas não reverte a artrose ou os bicos de papagaio. Manter níveis adequados é importante para evitar dores ósseas difusas.
Diário de Dor para Consulta Médica
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Guia Rápido: Ajuste sua Mesa
Siga os passos para reduzir a carga na coluna torácica agora mesmo.
O topo da tela deve estar na linha dos seus olhos. Se precisar olhar para baixo, use livros para elevar o monitor.
Devem formar um ângulo de 90 graus. Se a mesa for alta, suba a cadeira e use um apoio para os pés.
Sente-se no fundo da cadeira. Use uma almofada pequena na lombar se a cadeira não tiver curvatura.
Timer: Pausa Ativa
A cada 45 minutos, levante-se e estique os braços para cima e para trás para abrir o peito e combater a cifose.
Médico especialista em Dor e Fisiatria pela USP. Área de Atuação em Dor pela Associação Médica Brasileira. Doutorado em Ciências pela Universidade de São Paulo. Professor e Colaborador do Grupo de Dor do Hospital das Clínicas da USP.